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Top Model Guarujá fotos de Marinho Guzman

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Velhice

 

Às vezes acho que quem se conforma com a velhice não teve uma vida cheia de muitas conquistas, algumas decepções e grandes aventuras.

Abrir mão disso tudo não é fácil!

sábado, 8 de agosto de 2020

Meu pai.


Meu pai nasceu em 1919 e teria hoje, se fosse vivo, 101 anos.
Infelizmente ele se foi em 1999 portanto há vinte e um anos.
Tenho vagas lembranças de como teriam sido os primeiros anos da sua vida pelos seus relatos já quase esquecidos.
Para falar a verdade, é dificílimo imaginar meu pai aos cinco, dez ou quinze anos, vivendo na cidade de São Paulo onde as novidades o teriam deixado tão surpreso, como para mim o advento da televisão colorida em meados dos anos setenta ou a internet nos anos noventa.
Naquela época as grandes novidades devem ter sido a chegada ao Brasil dos primeiros carros, a popularização do rádio e o acesso aos primeiros cursos universitários.
Meu pai contou que o primeiro carro que meu avô comprou, um Ford 1929, da sua alegria em ter um rádio e de como ele conseguiu fazer à noite, o curso de ciências contábeis e atuariais da Faculdade Álvares Penteado do Largo de São Francisco.
Tempos difíceis, dizia ele que vivenciou o gasogênio, tinha dificuldade em saber das notícias internacionais pelo rádio e tinha que chegar em casa, por imposição do meu avô, obrigatoriamente às nove horas da noite, ainda que as aulas terminassem depois desse horário.
É bem verdade que ele tinha certas regalias que a maioria dos jovens não tinham . Ele já podia dar suas voltinhas com o carro da família uma vez que desde os dezoito anos ele é quem dirigia porque meu avô tinha dificuldade para fazê-lo, para não dizer que dirigia muito mal.
Foi numa dessas voltinhas pela Rua Frei Caneca que ele viu pela primeira vez a minha mãe. Deve ter sido um impacto fulminante porque a minha mãe era seguramente a garota mais bonita de toda São Paulo. Prova disso, são as fotos que sempre publico.
Além de linda, minha mãe dançava balé, era formada em música pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e dava consertos públicos aos dezenove anos de idade. Sua educação foi primorosa. Era a mais bonita, a mais inteligente e a primeira filha mulher. Ouvi dizer que era o xodó do pai e da mãe com muita razão.
Segundo meu pai, a troca de olhares foi rápida, as primeiras conversas furtivas e o namoro alguma coisa perto de uma história de terror uma vez que o meu avô era um português no mínimo turrão.
Quando meu pai foi pedir minha mãe em namoro, a conversa teria se tornado um desafio uma vez que meu avô disse que com filha dele ninguém brincava e que ele não admitiria namoro ou noivado prolongado.
Quem conheceu meu pai sabe que o sangue espanhol dele fervia nas veias quando era confrontado e ele teria perguntado ao meu avô quanto tempo seria suficiente ou demasiado e meu avô teria dito que não poderia demorar mais que seis meses.
Oh! Deus! Imagino a cara do meu pai, que esperava autorização para ir ao cinema com minha mãe na companhia de alguma irmã e sair de lá noivo para casar.
Segundo relatos fidedignos, meu pai teria imediatamente marcado a data do casamento para daí a quatro meses e o grande problema nem foi esse e sim contar para o meu avô, o seu pai que ele casaria no final daquele mesmo ano.
Houvesse esse termo naquela época e eu diria que “a casa caiu”.
Meu pai me contou a condição imposta pelo padrasto para que ele se casasse seria ir morar em Vera Cruz, uma cidadezinha do meio do Estado de São Paulo, que hoje tem uns de dez mil habitantes, naquela época só uma rua pequena e sem saída.
A minha mãe me contou que foi uma correria louca. A noiva tinha que fazer o enxoval, e promover a festa e o dinheiro mal dava para o dia a dia da família Pacheco.
Apesar dos pesares meu pai e minha mãe casaram-se dentro dos escassos quatro meses. O vestido da noiva era uma obra-prima, a festa foi perfeita e até pouco tempo, havia em casa alguns lençóis de puro linho do enxoval original. No mais, eu estou aqui para contar essa história louca e verídica.
História do cara mais incrível que eu conheci, meu pai Antônio Guzman Mariscal.
Contabilista rádio amador, criador de pássaros de canto, espanhol esquentado, homem íntegro e honesto que fez tudo que podia pelos filhos, do qual eu me orgulho de ter muitos princípios. E o nome Guzman.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Deus nos acuda!


Deus criou o homem à sua própria imagem,
Deus colocou e expulsou Adão de Eva do Paraíso,
Deus nos deu o incontestável milagre da Santíssima Trindade, onde seu filho foi concebido pela Virgem Maria, mãe de Deus.
Deus é Pai, é filho, Deus é o Espírito Santo, figura que não sei bem o que quer dizer.
Deus permitiu que Ele mesmo na forma de Jesus fosse sacrificado e com o Santo Sacrifício redimiu a humanidade do Pecado Original, o mesmo que levou o homem na figura de Adão e Eva serem expulsos do Paraíso.
Deus nos ofereceu suas palavras nas dos Apóstolos que por sua vez foram compiladas no Livro Sagrado, a Bíblia.
E ela conta a saga do homem através das grandes catástrofes todas elas causadas pelas más escolhas do livre arbítrio.
Criado a cerca de 14 bilhões de anos o Universo segue com rumo incerto, segundo alguns para o “bing bang.
Uma coisa é certa, um segundo livro nem tão sagrado, mas bem mais bem comprovado vem sendo escrito nos últimos vinte séculos e a humanidade continua sendo coadjuvante nas catástrofes.
Essa semana foi o Líbano, ainda presentes as guerras, revoluções e pandemias se encarregam de traçar as linhas desse livro que a meu ver é de terror.
Se você não concorda com alguma das minhas palavras não curta esse texto por favor, peça a Deus que reconsidere e nos acuda.

sábado, 4 de julho de 2020

⁠Você já percebeu que quando as religiões não tem explicação colocam na conta dos milagres?


O pecado a culpa são invenções dos religiosos para nos desviar a atenção da sua malignidade, das mentiras que contam e dos milagres que fabricaram através dos tempos.
E quando as coisas vão mal e não dão certa a culpa é sempre nossa.

Vida

Deveríamos nos acostumar com mais facilidade com os efeitos da velhice, com o declínio dos nossos ídolos, com o fim dos nossos sonhos e com o destino inexorável.
Poderíamos caminhar serenos por onde já corremos, viver dos louros alcançados e nunca lembrar das derrotas mal sofridas.
Seria bom poder escolher a hora de partir assim como escolhemos a hora de ir dormir.
Diríamos até logo,sairíamos de cena e todos saberiam que todo espetáculo tem que terminar, uns com aplausos, outros com alívio.

O poço, o fundo do poço e o poço sem fundo.



 Para a maioria dos políticos o dinheiro público é um poço sem fundo.
Alguns ainda pensam que sempre vai sair água desse poço.
A maioria dos brasileiros (onde me incluo) está no fundo do poço, perdendo empregos, seus pequenos negócios e o pouco que possam ter conseguido na vida.
A verdade é que o poço não surgiu do nada, foi construído com o suor de muitos anos de trabalho a fio.
Cada notícia que escuto sinto como se mais uma pá de terra foi jogada no poço e que quando o poço estiver soterrado não haverá água para ninguém.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

A pandemia, as decisões tomadas, a história e a nova realidade.

Como tantos fatos históricos dúbios, tomo como exemplo o holocausto, que alguns afirmam que não existiu ou não teve as tais proporção, 2.020 passará à história como a maior caos dos últimos séculos e várias versões circularão.
Quais foram as reais proporções, quais foram as medidas tempestivamente tomadas, quais foram os erros e os acertos?
E com a costumeira falibilidade, a humanidade vai acreditar na versão que lhe aprouver.
É inconteste que teremos a partir de agora uma nova realidade.
E essa nova realidade é a maior incógnita. Essa sim única
verdade.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Músicas


Como numa máquina do tempo algumas músicas me deixam em transe e me colocam trinta, quarenta, cinquenta anos atrás.
Nessa hora (mas não só nessa) lembro que meu avô dizia:
- Deveríamos ser antes velhos e depois novos...
Certamente aproveitaríamos muito mais.

domingo, 28 de junho de 2020

Tem gente misturando tudo.


Respeitar a opinião do próximo não significa aceitar e muito menos concordar.
A gente respeita algumas opiniões e aproveita para descartar o autor ou autora.

A censura dos mamilos e o pudor nosso de cada dia.



A maioria das mulheres de qualquer idade que tem peitos bonitos, e isso hoje em dia quer dizer quase sempre avantajados, gosta de exibi-los nos decotes generosos, nas transparências diáfanas ou nas roupas colantes.
Nove entre dez das garotas que vem fotografar aqui tem como maior sonho uma prótese de mamas.
A diferença para as mulheres, do que é bonito e deve ser exibido e para algumas o que não pode aparecer são os mamilos.
Não consigo entendera monumental vergonha que algumas delas alegam quando parte de um mamilo aparece, marca a roupa ou escapa desavergonhadamente do biquíni com uma onda maior  se mais de noventa por cento dos seios já estão expostos.
Os mamilos estão definitivamente banidos do Facebook e de algumas redes sociais pelos seus responsáveis, como prova de que a moralidade deve ser preservada. Rsss...
Eu, da minha parte, meteria os peitos em qualquer discussão onde se dispusesse discutir esse fenômeno da intolerância com a exibição dessa pequena parte da mama e a permissividade da exibição cabal da peitaria siliconada ou não.
Numa época as mulheres queimaram os sutiãs como forma de protesto pelo que seria um símbolo da submissão feminina. Alertadas pela experiência, pela idade e pela física, voltaram a usá-lo e até a aperfeiçoá-lo com o tal de bojo que cobre, sustenta, acomoda ajeitando e protege os mais frágeis, pequenos e caídos de toda natureza.
Mas o que me pergunto é exatamente isso? Pode mostrar todo o resto menos os mamilos?

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Amanda


Dia desses você me mostrou um caderno inteiro de mais de trinta folhas onde eu escrevi há vinte anos uma declaração muito apaixonada, palavras escritas em cerca de uma hora quando eu esperava você sair da faculdade.
Essa foi apenas mais uma das declarações que eu fiz nesses vinte anos que estamos juntos, com amor demonstrado todos os dias.
As palavras saltavam da minha cabeça para os dedos sem o mínimo esforço esboçavam como que seriam os vinte anos seguintes.
Não foram poucas as recriminações implícitas e explícitas pela nossa diferença de idade que beira os trinta anos e não há nada para exaltar nas suas qualidades que eu tenha deixado de dizer ou escrever.
Não há expressão de carinho que eu tenha deixado de demonstrar nesses vinte anos.
Nunca tivemos uma briga e não me lembro de uma discussão onde ficou claramente demonstrada a nossa sintonia com as muitas alegrias e as poucas tristezas com que a vida nos deu e nos surpreendeu.
Aliás, a vida não nos deu, nós fomos buscar, dia a dia, essa alegria de a cada final de tarde sentarmos frente a frente e brindarmos o sucesso e a felicidade de sermos almas gêmeas, cultivadas com educação, carinho e respeito.
Hoje você completa mais um ano de vida e eu brindo o seu sucesso, que fez a diferença de idade me transformar num moleque loucamente apaixonado por uma gatinha.
Parabéns!Eu te amo!Amanda

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Gênesis 1:1-31

O Gênesis salvo algumas interpretações das diversas religiões Gênesis 1:1-31 relata como Deus teria criado o mundo tendo como obra prima o homem e a mulher à sua imagem e semelhança.
Em várias passagens bíblicas é exaltada a bondade divina.
Um dos Salmos dá como prova maior, que Deus teria sacrificado seu único filho Jesus para salvar a humanidade.
É tanta literatura de mistérios, como a ressurreição, o nascimento do Salvador a abertura dos mares para salvar o povo judeu e outros tantos que eu me pergunto:-
Obra prima? Imagem e semelhança? Bondade?
Como fica minha crença cultivada em vários anos de colégios religiosos?
Acreditar em milagres ou ter uma visão crítica a tantos flagelos impostos a bilhões de humanos?

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Sextou?


Por aqui é ressaca de domingo.
Bêbados os nossos governantes não se entendem e brigando para ver quem faz mais besteira.
Por enquanto Bruno Covas na ponta, Doria poucos metros atrás e o Congresso embolados aos coices em acirrada disputa para ver quem ganha o troféu ignorância .
Mas não nos enganemos, os culpados somos nós que perimimos chegar aonde chegamos.
Já estamos no caos.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

As notícias veiculadas todos os dias

As notícias são as mesmas, mas a deturpação causa confusão proposital, levando o povo a conclusões errôneas, que interessam a alguns grupos e redes de comunicação.
Os grupos são as dezenas de partidos de aluguel e as redes foram as que cresceram com bilhões de verbas públicas distribuídas pelos governos do PT.
Um exemplo claro, são as notícias do Corona vírus onde se compara o número de mortos sem deixar claro o número de habitantes e a extensão territorial do lugar.

A Folha de São Paulo, a Revista Veja, Isto É e tantos outros veículo escritos já não se mantém pela venda dos seus exemplares porque ninguém compra notícias que já foram dadas, comentadas e confirmadas ou desmentidas pela internet.E se ninguém compra ninguém anuncia...
Quem quer ler no dia seguinte o que já viu no dia anterior ou pior, durante a semana?
A TV vai por outro caminho. Obrigada a uma programação já que é com base nisso que tem o preço dos seus anúncios fixados, pode no máximo exibir o fato nos seus telejornais que devem manter qualidade de texto e imagem só possíveis com equipes de jornalistas, apresentadores e técnicos todos muito caros.
Como fazer isso hoje, se todo cidadão tem uma câmera na mão, um Whatsapp para postar a notícia no mesmo instante, sem se importar com a qualidade da imagem ou do texto?
Afinal, o público quer a notícia. Caiu o prédio? Foi incêndio? Que prédio? Que rua? Os bombeiros já chegaram?
O mundo é outro. Já perdi câmeras que usavam filmes, o laboratório usado para a revelação, os projetores de slides, filmadoras, minha querida máquina de escrever Olivetti elétrica  com esfera margarida e tantos outros equipamentos.
A TV como conhecíamos acabou. Hoje temos na Jovem Pan rádio que virou TV, programas incríveis com os melhores jornalistas do Brasil, temos a Net Flix e Amazon Prime. Com menos de R$50,00 você tem as duas, escolhe que horas vai assistir os melhores filmes e séries e shows de todos os tempos.
By...by...TV o negócio agora é a internet, claro, com suas muitas fontes respeitáveis sem fake News.

O Corona vírus 19 será uma lição que não aprenderemos.



                       
Previsíveis, as grandes epidemias não fizeram com que o mundo estivesse preparado para enfrentar essa, que não foi à primeira e nem será a última grande pandemia.
Os conflitos internacionais e as guerras civis vão perdurar através dos tempos com massacres sanguinários corpo a corpo  que mataram milhões de pessoas em poucos anos e  teremos outros, possivelmente com outros nomes.
O lucro exorbitante das grandes companhias são remuneratórios das fortunas dos bilionários, em vergonhosas listas de puro egocentrismo.
É imoral a apuração do lucro dos bancos, das bolsas de valores e demais instituições financeiras, que tornam milionários uns poucos, com as muitas perdas de milhões de incautos e necessitados de capital para produzir,
Os laboratórios farmacêuticos, a exploração do petróleo, as redes sociais e o recentes aplicativos, permitem que as maiores companhias do mundo sejam as maiores imobiliárias sem ter imóveis, as maiores empresas de transporte sem ter veículos, as maiores hoteleiras sem terem hotéis e por aí adiante, fazendo com que seus criadores juntem fortunas de mais de cem bilhões de dólares cada um, pagando poucos impostos, imediatamente entregues nas mãos dos políticos que destinam mal o pouco que sobra dos saques criminosos.
As dez maiores economias do mundo têm imensa população considerada abaixo da linha da miséria enquanto o dinheiro é canalizado para o bem estar dos que se dispõe a usufruir das suas riquezas.
E nada vai mudar, as gerações futuras verão as desgraças do passado cada vez mais potencializadas.
Eu não sou socialista, me considero de direita, mas acho que não aprenderemos a lição.

sábado, 9 de maio de 2020

Quarto poder?


Tida como o quarto poder, a imprensa está na briga para ver quem manda mais.
Executivo, Legislativo e Judiciário sofrem com a concorrência desleal.
Falas são tiradas do contexto, pesquisas são mal comparadas e as imagens são editadas com assuntos que confundem o público,
Não há fatos, o que vemos são opiniões e interpretações de um único assunto que juntam os desmandos, a desordem e a desgraça.
Tudo pela busca frenética da notícia “exclusiva” e de última hora, o que a qualquer momento pode ser o decreto do caos.

CNN



A CNN Brasil é uma franquia de comunicação comprada pelo empresário brasileiro Rubens Menin cuja intenção é defender seus interesses comerciais nem sempre louvávei,s por meio de notícias tendenciosas e algumas vezes errôneas ou deturpadas.
No Brasil não tem nenhuma importância levando-se em conta à audiência que é o que dá relevância na mídia.
Eu mesmo nunca tinha visto nada antes da entrevista que tentou transformar a atriz Regina Duarte em joguete, caso ela não interrompesse pronta e com razão a pseudo entrevista.
Assisti pela repercussão  nas redes sociais dessa torpe tentativa e nunca mais considerarei levar em consideração qualquer opinião dessa emissora.
Vamos tornar esse cancro jornalístico natimorto.
Não dê o que eles precisam desesperadamente para sobreviver, audiência.
O jornalismo brasileiro está precisando de uma limpeza moral, não precisamos de outra merda.
Rubens Menin Teixeira de Souza é um empresário brasileiro. É co-fundador, CEO e chairman da MRV Engenharia. É detentor de uma fortuna estimada em U$ 5 bilhão (dólares estadunidenses). Foi formado pela Universidade Federal de Minas Gerais. Também é conhecido por ser fundador do Banco Inter.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Ignorância


A periculosidade da situação política mundial agora agravada pelo corona vírus é ignorada por uma grande parcela da população.
Pelos ignorantes.
Vivemos no “fio da navalha”, sobre uma tênue linha que separa a paz da guerra, a vida burguesa da extrema pobreza, a vida da morte.
O otimismo exacerbado é exaltado sob pena dos realistas serem considerados pessimistas.
A grande maioria do povo, não por vontade própria, é obrigada a viver à custa de migalhas mal distribuídas pelo governo que parte, reparte e fica com a maior parte.
E o povo ignora e não sabe reagir porquê é ignorante.

terça-feira, 5 de maio de 2020

47.040.906 brasileiros não foram enganados, Bolsonaro era o melhor candidato à presidência.

Nem santo nem perfeito, Bolsonaro foi eleito porque os outros eram muito ruins, todos com inúmeros processos e representavam o que houve de pior nos governos anteriores, situação perceptível com o impeachment de Dilma e a ladroagem de Temer e em todos os cargos que ocupou.
Infelizmente alguns nunca estão satisfeitos, muitos gostariam eles próprios de tomar as decisões, uns milhões na verdade não sabem o que querem e nem imaginam as dificuldades de governar um Brasil minado pela corrupção.
Hoje querem um santo na presidência, uma virgem sem nenhum pecado, pai de beatos e disposto a aceitar chantagem para não ser cobrado pela vida pregressa.
Quem votou em Bolsonaro não escolheu seus auxiliares nem deve exigir mais do que consertar o Brasil.
Quem não votou em Bolsonaro deve calar-se e aguardar as próximas eleições fazendo valer no pleito seus méritos, se é que têm. No mais, DEIXEM O PRESIDENTE GOVERNAR!

segunda-feira, 4 de maio de 2020

A gente se adapta, se acostuma, se conforma e quase esquece.


O primeiro contato com qualquer situação nos surpreende.
Depois, a gente se adapta ,se acostuma e esquece.
Muitas pessoas nem sabem os nomes dos seus bisavós, alguns lembram com saudades dos avós que já morreram e os nossos pais estarão sempre na nossa memória.
Mas um dia, todos nós seremos apenas uma lembrança, e depois disso talvez uma foto esquecida numa gaveta, e ninguém se lembrará dos fatos que hoje para nós, são os mais importantes das nossas vidas.
A gente esquece porque se adapta e se acostuma que depois de algum tempo só o futuro importa.

domingo, 3 de maio de 2020

03 de maio de 2.020


Em 1964 eu tinha 15 anos e lembro-me dos tanques de guerra do Exercito Brasileiro em locais “estratégicos”.
A violência foi pouca mas o recado foi bem dado. Sofreram alguns inocentes mas a maioria era de uns imbecis. Alguns os mesmos como esse merda do Caetano Veloso e Wladimir Herzog, jornalista considerado mártir mas que na verdade era um subversivo como muitos “jornalistas” que manifestam suas opiniões de socialismo entrincheirados em empresas de comunicação que são concessões do Estado.
Não estranhem se os tanques de guerra estiverem muito breve na porta de algumas dessas emissoras.
Não se trata de que “quem avisa amigo é”
Foram fortemente alertados pelas manifestações populares.
Um misto de nojo e raiva foi o que senti ao conferir no Fantástico de hoje as acusações unilaterais e depoimentos exclusivos dos bandidos com e sem toga, que desejam ficar impunes pelos crimes que já cometeram.
Deputados Federais e Senadores, líderes da maioria e da minoria, todos da oposição, todos com dezenas de processos, tiveram amplo espaço e se manifestaram divulgando em rede nacional o seu repudio aos atos do Presidente.
Os bandidos que proferem as medidas judiciais que dificultam o exercício da presidência tiveram voz uníssona para dizer que os atos do presidente são atentatórios a democracia.São os mesmos que não a honram nem a posição nem a toga, tomando decisões inconstitucionais que não podem ser desobedecidas, e se contestadas serão julgadas por eles mesmos e pelos seus pares.
O noticiário não mostrou nenhuma declaração que vá ao encontro dos anseios do povo.
Povo esse que esteve e está sempre presente nessas manifestações incontestes, já que o PT não fornece mais o pão com mortadela nem condução compulsória dos infortunados, patrocinados com o dinheiro roubado das estatais
O homem que criou as bases para a Rede Globo ser hoje a potencia que é apoiou explicitamente a tomada do poder pelo Exercito Brasileiro em 1.964 em condições semelhantes. Entendeu que era a vontade do povo , ainda que os atuais dirigentes insistam em dizer que 1964 foi um golpe , isso não é verdade nas próprias palavras gravadas em som e imagem por Roberto Marinho.
A tomada de poder foi à recondução do país ao Estado de Direito, sem o qual seríamos a Cuba desses mais de 50 anos e Venezuela do presente.
Você pode ser a favor ou contra o |Presidente Bolsonaro
eleito com mais de 57 milhões de votos mas não pode ignorar a vontade do povo em mudanças radicais que estão sendo inviabilizadas pelos vermes que sempre mataram mais que os vírus.

Meu ponto de vista.


Ao aceitar ser Ministro da Justiça de Bolsonaro, Sérgio Moro desistiu definitivamente de uma carreira de mais de 20 anos como Juiz concursado e consagrado por seu trabalho que conhecemos na Operação Lava Jato.
Quais seriam as reais intenções do Juiz?
Ajudar Bolsonaro em seu propósito de alijar definitivamente a esquerda do poder? Acabar com a corrupção?
Por um fim às organizações criminosas?
Ou sabendo de antemão que o Supremo Tribunal Federal iria de uma maneira ou de outra inviabilizar a Lava Jato anulando algumas de suas sentenças, alegando sua improbidade e soltando os figurões que ele havia condenado?
Ser indicado para intocável Ministro do STF?
Seja qual foi ou foram as suas reais intenções ele aceitou ser Ministro da Justiça, subordinado incondicional de quem o acolheu.
Quais seriam as reais intenções em pedir demissão do cargo, passando as ser apenas e tão somente Bacharel em Direito, sem qualquer prerrogativa nem mesmo um corpo de segurança que garanta a sua integridade física e de sua família, de fato tão ameaçadas, pelas suas ações como Juiz e não como Ministro?
Ingerência de qualquer tipo na Polícia Federal? E o que ele teria a ver com isso? Afinal a responsabilidade é de quem faz a ingerência, não a do Ministro que não tem nenhuma autoridade nem obrigação com a corporação.
Por que a Constituição prevê que a nomeação do maior cargo da Polícia Federal é do Presidente? Em que pese ser uma instituição do Estado e não política sua direção é escolhida pelo Presidente por motivos óbvios.
E o que dizer das polícias civis e militares dos Estados? Como são escolhidos o Delegado Geral e os comando da Polícia Militar?
Quem dá as diretrizes das ordens? Quem manda de fato?
Afinal qual a intenção da real ingerência do STF impedindo o Presidente de escolher seus auxiliares como manda a Constituição?
Bagunça total no Ordenamento Jurídico com as consequências que são historicamente conhecidas.
Revolta do povo, reação dos que se acham prejudicados e prejuízo para a Nação, seja lá que ganhe essa briga de Pirro que sempre termina mal.

Marinho Guzman
03/05/2020

domingo, 26 de abril de 2020

Começo, meio e fim, o passado e futuro o da humanidade.

Vivemos uma situação pandêmica como ninguém que está vivo presenciou.
Sabemos mais ou menos o que aconteceu há cento e três anos :
“A gripe espanhola foi uma variação do vírus Influenza (comumente associado às gripes recorrentes e ao H1N1). A origem da mutação do vírus da gripe é desconhecida. Os casos tiveram início de 1917 e desde então ela se coloca como uma das doenças mais resistentes de todos os tempos. A letalidade da gripe variou entre 6% a 8% durante o surto.”
Portanto dados de mais de cem anos, sem o milagre das comunicações, radio, televisão e internet, e a imprecisão e infidelidade do Data Folha e do IBOPE como a verdade.
Não há consenso se estamos no meio ou no fim do problema e só o futuro vai contar essa historia triste, certamente com várias versões.
Para os que acreditam nas profecias divinas (não é o meu caso), a Bíblia informa há séculos:
“E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares. Mas todas essas coisas são o princípio das dores” (Mateus 24:6-8)
Sempre existiram profetas e adivinhos, a humanidade segue, uns achando que o progresso tecnológico permite uma vida melhor, outros que a humanidade está destruindo o mundo...
]
Nós que não estaremos vivos não saberemos isso...

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Problemas.

22 de abril de 2017 às 06:58 · Guarujá ·

Meu pai dizia que quanto mais coisas a gente tem, mais problemas a gente arruma.
Não que ele tivesse poucas coisas, mas ele tinha menos problemas.
Demorei muito para entender o significado daquelas palavras e por um tempo não medi esforços para ter tudo o que o dinheiro podia comprar. Comprei algumas financiadas, outras tive que vender, pois estavam acima das minhas posses.
Tive coisas que custavam ainda mais caro depois que eu as tinha, porque para mantê-las, tinha que ter outras e isso dava mais dor de cabeça, era um ônus pesado demais.
Com o tempo aprendi que ser admirado pelas coisas que se tem, quer dizer que a gente vale menos do que elas.
Um dia ou outro a admiração pode virar inveja, ciúmes ou vontade de tirar um pedaço das nossas coisas, ainda que a gente tenha deixado que as pessoas tirassem várias casquinhas.
Não acho que eu precise pouco para viver, mas sei que elas devem acrescentar mais que um carro ou uma roupa nova e outras coisas que depois de alguns anos ninguém quer mais.
Hoje as coisas têm que me dar prazer em usá-las e não em mostrá-las, e se elas forem invisíveis, como entender as coisas que meu pai me ensinou, aí sim, terão grande valor.
Há coisas que a gente nem quer e nos são oferecidas de graça,
mas no fim escondem altos custos, e tem gente que troca a honra por coisas que só servem para mostrar aos outros, coisas que só causam problemas,coisa que não levam ninguém a nenhum lugar.

domingo, 19 de abril de 2020

Mais um texto fadado ao insucesso!

Deveríamos encarar a morte por uma perspectiva natural pois é isto que ela é, faz parte da vida.
Você nasceu, cresceu, se tornou adulto e teve que descobrir como viver, com quem casar, quantos filhos ter, como educá-los, como envelhecer.
Mas já parou para se perguntar sobre como lidar com a morte, seja ela prematura ou na velhice?
Todos sabemos viver e que hábitos saudáveis podem nos dar mais uns anos de vida.
Para quê? Com que finalidade você quer viver mais, se com oitenta ou noventa anos não poderá fazer nem uma fração do que foi capaz enquanto jovem ou adulto e em muitos casos terá que ser ajudado por um cuidador ou cuidadora?
Muitos preferem evitar o assunto morte. Esquecem que a violência está à nossa porta ou que podemos morrer vítimas de um acidente a qualquer momento.
E por falar nisso, o que é morrer de velhice? Ter uma morte saudável?
A morte faz parte da vida. Se não morrermos agora em decorrência de uma fatalidade, morreremos mais tarde em decorrência de alguma doença que já pode estar crescendo dentro de nós ou que aparecerá daqui a uma década, ou mais, dependendo de sua idade.
Não importa em que entidade divina você acredite, o que come ou deixa de comer, quem você ama ou por quem é amado ela virá, pode ser hoje, pode ser daqui a muito tempo.
Você acha que será melhor ser surpreendido do que estar preparado?
Muitas vezes sou recriminado por escrever o que penso sobre a morte.
Eu não perderia esse rico assunto, um dos melhores para observar e refletir sobre a vida.
Como podem ver, estou falando de vida!

domingo, 12 de abril de 2020

Dizer que você é perfeita talvez seja demais...ou não?

Mas é a composição de tanta coisa boa que você faz, tão boa que você é, que tira
de mim a possibilidade de imaginar um defeito.
Não mude nada! Não queira muito menos mas não procure rapidamente muito mais. Tudo de bom virá ao seu encontro no momento certo.
Meu único interesse é que você seja cada dia mais feliz.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Verdade


Não conheço todas as suas verdades nem você tem que se preocupar com as minhas.
Nenhuma dúvida que a sua vida, os seus caminhos são completamente diferentes dos meus...
Mas um dia eles se cruzaram e isso fez uma grande diferença em como eu encarei o passado, o presente e o futuro.
Be happy!!!!

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Uns e outros.

..
Frase célebre de uma pessoa muito humilde e ignara que conheci era a seguinte “Cada um sabe de si”
Diferente de postar uma frase ou foto é pedir a opinião,seja qual for o motivo pelos qual a frase foi dita ou a foto publicada.
Entendo que pode ser uma maneira de demonstrar um momento, um sentimento, ou mesmo um desabafo.
Tá certo que quem postou deu publicidade e até vai receber bem uma palavra de consolo ou um elogio e estará sempre sujeito a qualquer tipo de recriminação.
Mas “cada um sabe de si...” já dizia a velha, sábia humilde e ignara empregada da minha avó...a Inácia.

domingo, 29 de março de 2020

Tarde demais para esquecer


Eu lembro.
Eu pensava reencontrá-la um dia e como numa novela você diria...
Há quanto tempo... e eu responderia:
-Uns quarenta anos! E hoje já se passaram mais de quarenta anos.
Quarenta anos de uma lembrança, que é só uma lembrança, nada mais do que uma forte lembrança.
Tarde demais para esquecer?
Que força tem uma lembrança dessas que dura tanto quanto uma vida?
Tarde demais para aprender..

Leia e veja o que está acontecendo no Brasil hoje e o resultado em 1.964. Não é mera coincidência é a verdade nua, pura e crua.




 Golpe de Estado no Brasil em 1964-Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Tanques em frente ao Congresso Nacional patrulham a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, após o golpe militar de 1964.

Data         31 de março – 1 de abril de 1964

Local         Vários lugares no Brasil (principalmente Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo)

Desfecho Fim do regime democrático no Brasil e o estabelecimento de uma Ditadura Militar até 1985

Combatentes

Brasil Forças Armadas
Apoiados por: Estados Unidos Estados Unidos
Brasil Líderes e comandantes
 (1889–1960).svg Castelo Branco
(1889–1960).svg Costa e Silva
 (1889–1960).svg Augusto Grünewald
 (1889–1960).svg Francisco de Melo
(1889–1960).svg Olímpio Mourão         
svg João Goulart
(1889–1960).svg Leonel Brizola

Golpe de Estado no Brasil em 1964 designa o conjunto de eventos ocorridos em 31 de março de 1964 no Brasil, que culminaram, no dia 1.º de abril de 1964, com um golpe militar que encerrou o governo do presidente democraticamente eleito João Goulart, também conhecido como Jango.

Os militares brasileiros favoráveis ao golpe e, em geral, os defensores do regime instaurado em 1964 costumam designá-lo como "Revolução de 1964", "Contragolpe de 1964" ou "Contrarrevolução de 1964" Todos os cinco presidentes militares que se sucederam desde então declararam-se herdeiros e continuadores da Revolução de 1964.

Já a historiografia brasileira recente defende a ideia de que o golpe, assim como a ditadura que se seguiu, não deve ser considerado como exclusivamente militar, sendo, em realidade, civil-militar.
 Segundo vários historiadores, houve apoio ao golpe por parte de segmentos importantes da sociedade: os grandes proprietários rurais, a burguesia industrial paulista, uma grande parte das classes médias urbanas (que na época girava em torno de 35% da população total do país) e o setor conservador e anticomunista da Igreja Católica (na época majoritário dentro da Igreja) que promoveu a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, realizada poucos dias antes do golpe, em 19 de março de 1964.

Jango havia sido democraticamente eleito vice-presidente pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) – na mesma eleição que conduziu Jânio da Silva Quadros, do Partido Trabalhista Nacional (PTN), à presidência, apoiado pela União Democrática Nacional (UDN). O golpe estabeleceu um regime autoritário e nacionalista, politicamente alinhado aos Estados Unidos, e marcou o início de um período de profundas modificações na organização política do país, bem como na vida econômica e social. O regime militar durou até 1985, quando Tancredo Neves foi eleito, indiretamente, o primeiro presidente civil desde 1964.

Antecedentes

Jânio Quadros renunciou ao mandato no mesmo ano de sua posse (1961) e quem deveria substituí-lo automaticamente era o vice-presidente, João Goulart, segundo a Constituição vigente à época, promulgada em 1946. Este, entretanto, encontrava-se em viagem oficial à República Popular da China. Militares então acusaram Jango de ser comunista e o impediram de assumir seu lugar como mandatário no regime presidencialista.
Depois de muita negociação, lideradas principalmente pelo cunhado de Jango, Leonel de Moura Brizola, na época governador do Rio Grande do Sul, os apoiadores de Jango e a oposição acabaram fazendo um acordo político pelo qual se criaria o regime parlamentarista, passando então João Goulart a ser chefe-de-Estado.
Em 1963, porém, houve um plebiscito, e o povo optou pela volta do regime presidencialista. João Goulart, finalmente, assumiu a presidência da República com plenos poderes, e durante seu governo tornaram-se aparentes vários problemas estruturais na política brasileira, acumulados nas décadas que precederam o golpe e disputas de natureza internacional, no âmbito da Guerra Fria, que desestabilizaram o seu governo. Em outubro, uma entrevista concedida pelo governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, ao jornal Los Angeles Times, convocou as Forças Armadas americanas a "derrubar os comunistas que estavam no poder". Os ministros militares solicitaram ao presidente a decretação de estado de sítio e a prisão de Lacerda. O pedido, encaminhado ao Congresso Nacional, não encontrou receptividade diante da maioria dos parlamentares, sendo então retirado. Diante disso, oficiais, até então neutros, passaram a apoiar a conspiração golpista.

Em 1964, houve um movimento de reação, por parte de setores conservadores da sociedade brasileira – notadamente as Forças Armadas, o alto clero da Igreja Católica e organizações da sociedade civil, apoiados fortemente pela potência dominante da época, os Estados Unidos – ao temor de que o Brasil viesse a se transformar em uma ditadura socialista similar à praticada em Cuba, após a falha do Plano Trienal do governo de João Goulart de estabilizar a economia, seguido da acentuação do discurso de medidas vistas como comunistas na época, tais como a reforma agrária e a reforma urbana. Inúmeras entidades anticomunistas foram criadas naquele período, e seus discursos associavam Goulart, sua figura e seu governo, e o "perigo comunista" ou "perigo vermelho". Esse discurso, que até fins de 1963 ficara confinado a setores da extrema-direita, conquista rapidamente maior espaço e acaba por servir de "cimento da mobilização anti-Goulart", propiciando uma "unificação de setores heterogêneos numa frente favorável à derrubada do presidente".
No dia 13 de março de 1964, data da realização do Comício da Central do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, perante trezentas mil pessoas, Jango decreta a nacionalização das refinarias privadas de petróleo e a desapropriação, para fins de reforma agrária, de propriedades às margens de ferrovias, rodovias e zonas de irrigação de açudes públicos. No mesmo comício, Brizola defendeu o fechamento do Congresso Nacional e sua substituição por uma assembleia nacional constituinte, que deveria ser integrada por "camponeses, operários, muitos sargentos e oficiais nacionalistas." Desencadeou-se uma crise no país, com a economia já desordenada e o panorama político confuso. A oposição militar ao governo cresce especialmente a partir de 25 de março, com a rebelião dos marinheiros, que estavam amotinados no Sindicato dos Metalúrgicos da Guanabara, reivindicando o reconhecimento de sua entidade representativa. Fuzileiros navais, enviados ao local para prender os rebelados, acabaram por aderir à revolta. A quebra da hierarquia e da disciplina na Marinha é um argumento decisivo em favor do golpe militar, em nome da restauração da ordem.
"A crise na Marinha mudou o foco do processo político. Em vez de um enfrentamento entre projetos políticos, entre reforma e contra-reforma, uma luta entre os defensores da hierarquia e da disciplina nas Forças Armadas e os que desejavam subverter esses valores. Um desastre político para Jango e para as forças reformistas, cujo dispositivo militar começou a ruir."
Pela falta de mobilização das camadas populares da sociedade, a extensa maioria dos críticos do movimento de 1964 qualifica-o como um golpe de estado. Mesmo para muitos militares, a começar pelo ex-presidente Geisel, é claro que não houve uma revolução: "O que houve em 1964 não foi uma revolução. As revoluções fazem-se por uma ideia, em favor de uma doutrina. Nós simplesmente fizemos um movimento para derrubar João Goulart. Foi um movimento 'contra', e não 'por' alguma coisa. Era contra a subversão, contra a corrupção. Em primeiro lugar, nem a subversão nem a corrupção acabam. Você pode reprimi-las, mas não as destruirá. Era algo destinado a corrigir, não a construir algo novo, e isso não é revolução".
Para outras lideranças militares, foi uma contrarrevolução. Segundo o coronel Jarbas Passarinho: "O movimento militar de 1964 foi uma contrarrevolução, que só se efetivou, porém, quando a sedução esquerdista cometeu seu erro vital com a rebelião dos marinheiros, com a conivência do governo, o golpe de mão frustrado de sargentos em Brasília e a desastrosa fala de Jango para os sargentos no Automóvel Clube do Rio de Janeiro. A disciplina e a hierarquia estavam gravemente abaladas. As Forças Armadas só então se decidiram pela ofensiva, reclamada pela opinião pública. O apoio da sociedade brasileira, da imprensa, praticamente unânime, da maioria esmagadora dos parlamentares no Congresso, da Igreja, maciçamente mobilizada nas manifestações das enormes passeatas, as mulheres rezando o terço e reclamando liberdade, tudo desaguou na deposição de João Goulart, sem o disparo de um tiro sequer, o povo aclamando os militares."

Características gerais do novo regime e objetivos

Ver artigo principal: Regime militar no Brasil (1964-1985)
O golpe de Estado de 31 de março (ou, segundo alguns, de 1.º de abril teve como desdobramento a instauração do regime militar.
Segundo algumas análises do período, a implantação desse regime ocorre mediante uma alteração fundamental no papel exercido até então pelo estamento militar na vida política brasileira. Tradicionalmente, as Forças Armadas do Brasil sempre haviam tido o papel de um poder moderador. Suas intervenções, até 1964, sempre se haviam caracterizado por um caráter transitório, "controlando ou depondo o Executivo, ou até mesmo evitando a ruptura do próprio sistema", especialmente diante da ascensão de novos grupos, anteriormente excluídos da participação no poder político. Todavia, em 1964, os militares não apenas atuaram na tomada do poder mas passaram a exercê-lo diretamente, instaurando um regime autoritário, centralizador e burocrático, de corte modernizador. Às expensas de uma forte compressão salarial e de uma extrema concentração de renda, adota-se um modelo de desenvolvimento em que o Estado amplia sua presença na economia, seja através do planejamento e do controle, seja como indutor de investimentos, seja como agente direto na atividade produtiva (através de empresas governamentais que constituiriam o chamado "setor produtivo estatal"), notadamente em áreas consideradas estratégicas. Esse modelo de desenvolvimento será baseado no tripé formado pelo capital estrangeiro, capital privado nacional e capital estatal, sob a égide deste último, dando origem ao chamado "setor moderno" da economia.
O golpe de 1964 fora precedido de expressiva mobilização dos grupos dirigentes e de setores mais tradicionalistas das classes médias. Identifica-se como politicamente conservador, contrário às reformas de base nacional-populistas propostas por Jango e à participação política de setores populares, tradicionalmente excluídos do pacto de poder. Mas, na sequência, o novo regime consegue rearticular politicamente o empresariado nacional, especialmente o segmento ligado ao setor moderno da burguesia industrial e conectado ao capital internacional - ao mesmo tempo em que mantém suas alianças com as oligarquias tradicionais, num processo que Barrington Moore Jr. denominou modernização conservadora. Paralelamente, o regime também reinterpretaria a plataforma reformista de Jango, em áreas como reforma agrária (com a criação do Incra), educação (criação do Mobral) e reforma universitária, além de promover a estatização de empresas (energia elétrica, telecomunicações, siderurgia, petróleo).
Nos anos que se seguiram haverá uma significativa recuperação da economia e taxas de crescimento, que chegam a 10% ao ano, constituindo o que se chamou milagre econômico, com entrada significativa de capitais externos, atraídos também pela estabilidade política. O aumento da dívida externa seria um problema a ser enfrentado posteriormente.

Tal desenvolvimento econômico será, entretanto, acompanhado de censura aos meios de comunicação e de violenta repressão política - sob a égide da Lei de Segurança Nacional e do Ato Institucional n° 5, promulgado no final da década de 1960 - justificada pela necessidade de manter a estabilidade política e a segurança interna, em um mundo dividido pela Guerra Fria.

Além da limitação da liberdade de opinião e expressão, de imprensa e organização, a partir de 1969 tornaram-se comuns as prisões, os interrogatórios e a tortura daqueles considerados suspeitos de oposição ao regime, comunistas ou simpatizantes, sobretudo estudantes, jornalistas e professores.[carece de fontes] Para além das prisões, estima-se que cerca de 300 dissidentes perderam a vida (grupos de defesa dos direitos humanos e organizações de sobreviventes da ditadura militar, estimam que este número seja muito maior). Segundo a versão defendida pelos militares, a maioria dessas mortes teria ocorrido em confrontos com as Forças Armadas.

De acordo com relatos publicados pelo Departamento de Documentação Histórica da Fundação Getúlio Vargas
(sic)… 
Os militares envolvidos no golpe de 1964 justificaram sua ação afirmando que o objetivo era restaurar a disciplina militar e a hierarquia nas Forças Armadas e deter a "ameaça comunista" que, segundo eles, pairava sobre o Brasil.
Uma ideia fundamental para os golpistas era que a principal ameaça à ordem capitalista e à segurança do país não viria de fora, através de uma guerra tradicional contra exércitos estrangeiros; ela viria de dentro do próprio país, através de brasileiros que atuariam como "inimigos internos" – para usar uma expressão da época.
Esses "inimigos internos" procurariam implantar o comunismo no país pela via revolucionária, através da "subversão" da ordem existente – daí serem chamados pelos militares de "subversivos".
A frustrada revolta comunista de novembro de 1935 foi um evento-chave que desencadeou um processo de institucionalização da ideologia anticomunista no interior das Forças Armadas. Os comunistas brasileiros foram acusados de serem elementos "a serviço de Moscou" e, portanto, traidores da Pátria. Os militares que tomaram parte na revolta foram, em particular, acusados de uma dupla traição: não só do país como da própria instituição militar, ferida em seus dois pilares — a hierarquia e a disciplina. Foram também rotulados de covardes, devido principalmente à acusação, até hoje controversa, de que no levante do Rio teriam assassinado colegas de farda ainda dormindo.
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Situação internacional

John F. Kennedy durante a visita do então presidente João Goulart aos Estados Unidos em 1962. Posteriormente descobriu-se que o presidente estadunidense planejava invadir militarmente o Brasil para depor o governo de Goulart.
A Guerra Fria estava espalhando o temor pelo rápido avanço do chamado, pela extrema direita, "perigo vermelho".
As esquerdas espelhavam-se nos regimes socialistas implantados em Cuba, China e União Soviética. O temor ao comunismo influenciou a eclosão de uma série de golpes militares na América Latina, seguidos por ditaduras militares de orientação ideológica à direita, com o suposto aval de sucessivos governos dos Estados Unidos, que consideravam a América Latina como sua área de influência.

Fidel Castro vislumbrou expandir sua revolução no Brasil, inicialmente, usando as Ligas Camponesas de Francisco Julião. Posteriormente, propiciou treinamento militar em Cuba para brasileiros selecionados pelas organizações guerrilheiras, capazes de desencadear ações de guerrilha urbana e rural.Cuba e China passaram a financiar grupos de esquerda na América Latina, iniciando um movimento para implantar o comunismo na região, o que de certa forma influenciou na eclosão de uma série de golpes militares apoiados e financiados pelos Estados Unidos, que temiam o avanço comunista no continente. Os EUA não admitiam que os movimentos igualitários e de desenvolvimento regionais fossem contaminados pela doutrina comunista de caráter stalinista ou maoísta.

Com a polarização das ideologias houve a eclosão de inúmeros golpes de estado financiados pelos governos americano, soviético e chinês.

Guerra Fria

Jango durante sua visita aos Estados Unidos, em 1962.
A origem da Guerra Fria remonta da rivalidade entre os Estados Unidos e a União Soviética, ocorrida em meados da Segunda Guerra Mundial.

Os comunistas, através de um sistema autoritário, detinham o poder de seu bloco através de sistemas ditatoriais, enquanto os capitalistas mantinham o poder através do controle econômico, cuja estrutura também financiava ditaduras de direita, que também eram sistemas autoritários.
Na América Latina, não eram raros os governos dirigidos por "caudilhos", que poderiam pender para o bloco que bem lhes conviesse. Neste panorama, todos se diziam "democratas".
Desta forma, o mundo estava em plena Guerra Fria, a maioria dos países ocidentais se diziam "democráticos" e afirmavam defender a "livre expressão".
Dizem alguns que existiam algumas exceções às liberdades democráticas como as ditaduras na América Latina. É sabido, porém, que os Estados Unidos aceitavam, financiavam e apoiavam ditaduras da direita em países nos quais acreditavam haver risco de migração para o bloco comunista, como no caso da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Haiti, Peru, Paraguai, Uruguai etc.
Situação nacional
No Brasil, o golpe de 1964 e a consequente tomada do poder pelos militares contou com o apoio do grande empresariado brasileiro, temeroso que as medidas reformistas do presidente João Goulart desencadeassem um golpe comunista, particularmente devido às nacionalizações.
A população, no início confusa e receosa, depois desinformada pela repressão à imprensa[carece de fontes], acabou se acomodando à medida que a economia, aparentemente, melhorava.

A economia pré-1964
Mais informações: História econômica do Brasil
Os estudiosos da economia brasileira costumam dividir a economia pós-Segunda Guerra Mundial em dois períodos: o primeiro de 1947 a 1963; e o segundo de 1964 até os dias atuais.
Até 1964 a política econômica consistiu na substituição das importações, para estimular a economia doméstica, continuada mesmo com o revezamento de presidentes. Os "Anos JK", por exemplo, deram ampla atenção aos problemas urbanos, como o setor industrial, em detrimento ao rural. Segundo Roger W. Fox, do período de 1961 a 1963, houve problemas como escassez de alimentos, aumentando seus preços, gerando hiperinflação e trazendo a atenção do governo brasileiro ao setor agrícola.
Esse conjunto de fatores influenciou de forma considerável a implantação do posterior regime militar.

A política pré-1964

Em 25 de agosto de 1961, o presidente Jânio Quadros pediu renúncia do cargo. O vice-presidente, João Goulart, encontrava-se em viagem à China comunista. Assumiu a presidência o deputado Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados. Os militares só aceitaram a posse de João Goulart depois de implantado o parlamentarismo no Brasil. João Goulart assumiu o poder em 7 de setembro de 1961. Em plebiscito realizado em janeiro de 1963, o regime voltou a ser presidencialista, aumentando o poder do presidente João Goulart.
Há confrontos abertos entre esquerda e direita no Brasil. No nordeste do Brasil, Francisco Julião organizou lutas camponesas, as Ligas Camponesas. O governador de Pernambuco, Miguel Arraes, tido como comunista, apoiou manifestações de estudantes. João Goulart apoiou a sindicalização de sargentos e foi acusado pelos militares de promover a quebra da hierarquia e da disciplina nas forças armadas.
De 28 a 30 de março de 1963, realizou-se em Niterói, na sede do Sindicato dos Operários Navais, um Congresso Continental de Solidariedade a Cuba, com a participação de delegações latino-americanas. Luiz Carlos Prestes manifestou o desejo de que o Brasil fosse a primeira nação da América do Sul a seguir o exemplo de Cuba, tornando-se uma nação comunista.
Em outubro de 1963, o ex-governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola organizou o "Grupo dos Onze Companheiros" para tomar o poder pela luta armada. Segundo Brizola, o G-11 seria a "vanguarda avançada do Movimento Revolucionário, a exemplo da Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917 na União Soviética".

No dia 13 de março de 1964, João Goulart assinou, em praça pública, no Rio de Janeiro, decretos de encampação das refinarias de petróleo privadas e autorizou a expropriação de terras, vinte quilômetros à beira de rodovias, ferrovias, rios navegáveis e açudes.
Esses decretos de 13 de março e outro comício, no dia 30 de março, no Rio de Janeiro, no Automóvel Clube, foram decisivos para a derrubada de João Goulart:
Declara de interesse social para fins de desapropriação as áreas rurais que ladeiam os eixos rodoviários federais, os leitos das ferrovias nacionais, e as terras beneficiadas ou recuperadas por investimentos exclusivos da União em obras de irrigação, drenagem e açudagem, atualmente inexploradas ou exploradas contrariamente à função social da propriedade, e dá outras providências.
— DECRETO N.º 53.700, DE 13 de março de 1964[36]
Declara de utilidade pública, para fins de desapropriação em favor da Petróleo Brasileiro S A - PETROBRÁS, em caráter de urgência, as ações da companhias permissionárias do refino de petróleo.
— DECRETO N.º 53.701, DE 13 de MARÇO de 1964 (Decreto da SUPRA)[37]
Tabela os aluguéis de imóveis no território nacional, e dá outras providências.
— DECRETO N.º 53.702, DE 14 de MARÇO de 1964[38]
O jornal Folha de S.Paulo, no dia 27 de março, escreveu: "Até quando as forças responsáveis deste país, as que encarnam os ideais e os princípios da democracia, assistirão passivamente ao sistemático, obstinado e agora já claramente declarado empenho capitaneado pelo presidente de República de destruir as instituições democráticas?"
O Jornal do Brasil, em 31 de março, comentou as atitudes de João Goulart: "Pois não pode mais ter amparo legal quem, no exercício da Presidência da República, violando o Código Penal Militar, comparece a uma reunião de sargentos para pronunciar discurso altamente demagógico e de incitamento à divisão das Forças Armadas."
Logo após o discurso do Automóvel Clube, o general Olímpio Mourão Filho, comandante do I Exército, sediado em Juiz de Fora, próximo ao Rio de Janeiro, partiu com suas tropas, sem autorização de outros militares, e iniciou o movimento armado.
Bipolarização
Durante a eclosão do golpe de 1964 havia duas correntes ideológicas no Brasil, sendo uma de esquerda e outra de direita. Aquelas correntes tinham movimentos populares de ambas facções, acredita-se financiados com capital externo. Além da polarização, existia também um forte sentimento antigetulista, motivador do movimento militar que derrubou Jango.[carece de fontes]
—Rodrigo Patto Sá Motta,1964: “O Brasil não estava à beira do comunismo”
O historiador afirma ainda que a ideia de dizer que houve tais ameaça seria para intensificar uma campanha de grupos de direita em defesa daquele período e de dar legitimidade a um governo comandado por militares. Em outro trecho, afirma:
       ...a grande imprensa e outras instituições fizeram forte barragem discursiva em favor da queda de Goulart, em que mobilizaram à exaustão o tema do perigo vermelho (comunistas) para incrementar o clima de pânico. O certo é que ao sair dos quartéis as Forças Armadas desequilibraram a situação e promoveram a derrubada de Goulart, por isso seu papel foi essencial no golpe.
—Rodrigo Patto Sá Motta,1964: “O Brasil não estava à beira do comunismo”
Uma reportagem do jornal The Intercept afirma que as supostas guerrilhas de Jango, o armamento em posse das Ligas Camponesas (considerado o MST da época) e as infiltrações comunistas nas forças armadas não passavam de fantasia, e que o golpe de 64 ocorreu sem resistência, pois "resistência não havia". Além disso, as lutas armadas comunistas só apareceram após a implementação da ditadura, e não antes dela, e na verdade nunca colocaram em risco a democracia brasileira.
Ajuda de Cuba à luta armada
De acordo com Elio Gaspari: "Em 1961, manobrando pelo flanco esquerdo do PCB, Fidel hospedara em Havana o deputado Francisco Julião. Antes desse encontro, com olhar e cabeleira de profeta desarmado, Julião propunha uma reforma agrária convencional. Na volta de Cuba, defendia uma alternativa socialista, carregava o slogan Reforma agrária na lei ou na marra e acreditava na guerrilha como caminho para se chegar a ela. Julião e Prestes estiveram simultaneamente em Havana em 1963. Foram recebidos em separado por Castro. Um já remetera doze militantes para um breve curso de capacitação militar e estava pronto para fazer a revolução. Durante uma viagem a Moscou, teria pedido mil submetralhadoras aos russos. O outro acabara de voltar da União Soviética."
No período de 1960 a 1970, 219 guerrilheiros, além de outros não identificados, fizeram treinamento militar em Cuba, alguns ainda no governo Jânio Quadros, poucos no governo Jango e a maioria após 1964. Apesar disso, as guerrilhas formadas antes de 1964 não prosperaram e foram pouco expressivas. No dia 4 de dezembro de 1962 o jornal O Estado de S. Paulo noticiou a descoberta e desbaratamento de um campo de treinamento de guerrilha em Dianópolis, Goiás (hoje Tocantins), em uma das três fazendas compradas pelo Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT) de Julião.
Segundo Denise Rollenberg: "[…] Os documentos do DOPS, o temido Departamento da Ordem Política e Social, encontrados por Denise Rollemberg no Arquivo Público do Rio de Janeiro, atestam que desde 1962 o órgão acompanhava atentamente as estreitas relações de Cuba com as Ligas. A papelada registra também cursos preparatórios de guerrilha em vários pontos do País. O apoio cubano concretizou-se no fornecimento de armas e dinheiro, além da compra de fazendas em Goías, Acre, Bahia e Pernambuco para funcionar como campos de treinamento."
Fator desestabilizador
O golpe não foi algo repentino, ele foi amadurecendo aos poucos. O motivo alegado era o comunismo. O contexto, porém, era bem mais complexo: a estatização promovida por Jango e as visões conflitantes entre a política e a economia de ambas as correntes de pensamento, particularmente da extrema direita e extrema esquerda, vinham se contrapondo desde o início do século XX, sendo as alternativas mistas ainda em estágio embrionário.
O golpe militar de 1964 começou a ocorrer dez anos antes, em 1954. Um movimento político-militar conservador descontente com Getúlio Vargas, com sua condição de ex-ditador e com denúncias de corrupção, aliado aos Estados Unidos, tentou derrubar o então presidente Getúlio Vargas, que abafou o golpe terminando com sua própria vida num suicídio. A repercussão da carta-testamento de Getúlio Vargas conteve quaisquer movimentações e desestabilizou profundamente a estrutura política do Brasil.
Passados o impacto e a comoção social que se seguiram ao suicídio, em 1955, opositores de Vargas tentaram impedir as eleições, sabendo da provável derrota do grupo.
Jânio e a tentativa de autogolpe
Ver artigos principais: Jânio Quadros e Carta Renúncia de Jânio Quadros

Jânio Quadros.

Em 1961, quando Jânio Quadros renunciou, assumiu a presidência o então vice-presidente João Goulart, e houve suposições de um autogolpe fracassado.
Goulart era visto como sucessor político de Getúlio Vargas e era, também, cunhado do governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, que defendia a realização de reformas de base no Brasil, incluindo a reforma agrária e a reforma urbana.
As reformas de base desagradavam os setores conservadores, a classe média, e dirigentes de multinacionais, que vendo seus negócios em risco no Brasil financiaram em 1961 a criação do IPES. E através de seu poderio político financeiro e de lobby no Congresso Nacional acabaram por se movimentar no sentido de impedir a posse de Jango.
Por influência de grupos mais moderados, houve um acordo político estabelecendo o regime parlamentarista, o que significaria que Goulart seria chefe de estado, mas não chefe de governo — desta forma permaneceria no governo, mas teria poderes reduzidos.
Jango chegou ao poder através de uma eleição que levou Jânio Quadros à presidência pela UDN e o próprio João Goulart à vice-presidência pelo PTB. Ou seja presidente e vice-presidente eram inimigos políticos. Esta situação foi possível devido a uma legislação eleitoral que permitia que se votasse no presidente de uma chapa e no vice-presidente de outra.
Devido às forças políticas atuantes no país, em 1962, foi convocado um plebiscito para escolher qual a forma de governo o Brasil adotaria: ou retornava ao presidencialismo ou permanecia no parlamentarismo. O povo optou maciçamente pelo presidencialismo, com 9,5 milhões de votos contra dois milhões dados ao parlamentarismo.[carece de fontes] Goulart começou a governar tentando conciliar os interesses do seu governo com os interesses políticos dos mais conservadores e também dos políticos progressistas no Congresso Nacional.
Devido a boicotes de ambas as correntes, houve uma grande demora em implantar as reformas de base. Os setores mais à esquerda, inclusive dentro do próprio PTB, afastaram-se da base governista e iniciaram protestos reivindicativos. Houve um aumento de preços dos mais diversos produtos e serviços. Desta maneira, a inflação acelerou e as medidas econômicas do governo foram duramente atacadas pelos grupos mais à esquerda. Estes viam nas medidas apenas a continuação de uma política antiquada que eles mesmos combatiam. Iniciaram-se greves comandadas pelo CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), o que repercutia mal nos setores patronais.
Em 4 outubro de 1963 Goulart solicita o estado de sítio ao Congresso Nacional pelo prazo de 30 dias. A justificativa do Ministério da Justiça era que o governo necessitaria de poderes especiais para impedir a comoção de "guerra civil" que punha em perigo as instituições democráticas. A manobra foi repelida inclusive pela esquerda, e a iniciativa foi vista como uma tentativa de golpe por parte de Jango.
Houve também uma importante guinada em direção a reformas de base de inspiração socialista. Junta-se à tensão política a pressão do declínio econômico.
Revolta dos marinheiros
Cabo Anselmo discursa no palco da sede do Sindicato dos Metalúrgicos durante a Revolta dos Marinheiros, 25 de março de 1964. Arquivo Nacional.
A revolta dos marinheiros foi um motim dos marinheiros da Marinha do Brasil ocorrido em 25 de março de 1964. Constituiu-se em uma assembleia de mais de dois mil marinheiros de baixa patente (marinheiros e taifeiros), realizada no prédio do Sindicato dos Metalúrgicos, no Rio de Janeiro. Os marinheiros exigiam melhores condições para os militares e também pediam apoio às reformas políticas de base propostas pelo presidente João Goulart. A assembleia foi chefiada por José Anselmo dos Santos, mais conhecido como Cabo Anselmo.
O então ministro da marinha, Sílvio Mota, ordenou a prisão dos líderes do movimento, enviando um destacamento dos fuzileiros navais, comandados pelo contra-almirante Cândido Aragão. Os fuzileiros, porém, juntaram-se ao movimento.
Pouco depois da recusa do comandante Aragão em debelar o movimento, Jango expediu ordens proibindo qualquer invasão da assembleia dos marinheiros e exonerou o ministro Mota. No dia seguinte, 26 de março, o ministro do trabalho Amauri Silva negociou um acordo, e os marinheiros concordaram em deixar o prédio pacificamente. Logo em seguida, os líderes do movimento foram presos por militares, sob a acusação de motim. Horas depois, porém, o presidente anistiou os amotinados, criando um forte constrangimento entre os militares diante da imprensa e da sociedade, o que agravou a crise militar. Logo depois, em 30 de março, véspera do golpe, Goulart compareceu a uma reunião de sargentos, no Automóvel Clube, discursando em prol das reformas pretendidas pelo governo e invocando o apoio das forças armadas.

As estatizações e as supostas fraudes financeiras

As recentes estatizações feitas por Leonel Brizola nas companhias telefônica e de energia do Rio Grande do Sul, ambas pertencentes a grupos dos EUA, criaram um clima tenso entre Brasil e Estados Unidos.
Brizola denunciou um acordo de indenização fraudulenta feito com as companhias dos EUA, antigas proprietárias das estatais recém criadas do Rio Grande do Sul. O ministério caiu e o acordo foi suspenso, desagradando aos Estados Unidos.
Os sargentos, os estudantes e os Grupos dos Onze
Paralelamente, havia o movimento dos sargentos ideologicamente ligados ao governador Brizola. Estes pleiteavam o direito de serem eleitos, já que suas posses haviam sido impedidas pelo Supremo Tribunal Federal. O movimento estudantil, de orientação esquerdista, realizava protestos nas ruas.
O efeito da organização de sargentos e cabos em grupos políticos não pode ser subestimado em relação ao descontentamento dos militares com o governo de Jango, principalmente pela ligação destes com Brizola, que era cunhado do presidente, pois subvertia a hierarquia militar, um dos preceitos mais importantes e talvez a própria alma das Forças Armadas. Brizola criou o movimento chamado de Grupos dos Onze, que consistia na organização popular em grupos de onze pessoas, para fiscalizar parlamentares e militares (já prevendo tentativas de golpes) e pressionar o governo e o congresso pelas reformas de base.
Reação da direita
Os políticos do PSD, mais conservadores, temendo uma radicalização à esquerda deixam de apoiar o governo. A situação política de Goulart se torna insustentável, pois não tinha apoio total do PTB e nem dos comunistas. Não consegue governar de forma conciliatória.
A UDN e o PSD temiam pelo crescimento do PTB, já que Leonel Brizola era o favorito para as eleições presidenciais que aconteceriam em 1965.[carece de fontes] Criou-se o medo de que Goulart levasse o país a um golpe de estado, com a implantação de um regime político nos moldes de Cuba e China. Era o "perigo comunista", que serviria depois como justificativa para o golpe.
Comício da Central do Brasil e a eclosão do golpe
João Goulart.
O comício de Goulart e Brizola, na Central do Brasil, em 13 de março de 1964, foi a chave para dar início ao golpe. Ficou conhecido como Comício da Central.[
Brizola e Goulart anunciavam as reformas de base, incluindo um plebiscito pela convocação de nova constituinte, a reforma agrária e a nacionalização das refinarias particulares de petróleo. Jango também criticava o sentimento anticomunista e a utilização dos meios religiosos como instrumentos de oposição ao governo
Os políticos da UDN e do PSD acreditavam que Brizola pudesse vencer as eleições presidenciais e que o povo apoiaria o seu projetoLogo a aliança UDN-Militares-Estados Unidos iniciou sua mobilização definitiva em direção ao golpe

O uso da religião

Desde 1961 o IPES estava mobilizando a classe média. Sendo o Brasil de maioria católica, a parcela cristã conservadora foi mobilizada para a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, reunindo centenas de milhares de pessoas A manifestação foi amplamente coberta pela mídia e provocou o alastramento de um sentimento anticomunista pela sociedade No Rio, a marcha teve como ponto de partida uma grande concentração entre a igreja da Candelária e o prédio do Ministério da Guerra. Segundo Marcos de Castro, a manifestação teve quase nenhuma participação das camadas pobres da população, tendo a maior parte das pessoas vindo de bairros nobres cariocas
Em São Paulo, quinhentas mil pessoas participaram da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, no dia 19 de março de 1964. Os manifestantes foram da Praça da República em direção à Praça da Sé, onde foi realizada uma missa pela "salvação da democracia", celebrada pelo padre Patrick Peyton, conhecido por sua campanha anticomunista, cujo slogan era "A família que reza unida permanece unida
A marcha teve suporte garantido por Adhemar de Barros, Carlos Lacerda e pela CIA. A finalidade desta era mobilizar a maior quantidade possível de participantes para dar respaldo popular e facilitar aos militares a organização da derrubada de Goulart com o apoio dos políticos e da sociedade organizada
Na época, setores conservadores de outras igrejas também se juntaram ao apoio às cruzadas "anticomunistas". A Igreja Metodista, por exemplo, encontrava-se dividida, com setores simpáticos às reformas de Jango, e outros fortemente alinhados aos movimentos golpistas. Cabe lembrar aqui que, no final de 1968, ocorreu o fechamento da Faculdade de Teologia dessa Igreja, em sintonia com o AI-5Muitos pastores das Igrejas Metodista, Luterana e Presbiteriana foram perseguidos. Alguns afastados da vida eclesiástica e compulsoriamente aposentados. Essas igrejas estavam claramente divididas entre os favoráveis ao golpe e os contrários, ligados às Comunidades Eclesiais de Bas
A movimentação popular foi financiada pelo IPES
Envolvimento da França
Adidos militares franceses ensinaram técnicas de tortura para militares brasileiros e de outros países da América Latina usando táticas utilizadas na Guerra Civil Argelina e na Guerra da Indochina
Envolvimento dos EUA
Reunião de Kennedy com Lincoln Gordon
.“      (Kennedy): - Então, o que vamos fazer ? Eu digo, quem vamos escolher? Nós temos que mandar para lá alguém que possa estabelecer ligações muito rápidas... e tem de falar em português. (Goodwin): - Por que não falamos com o Ros Gilpatric ou alguém... (Kennedy): - Ótimo, mas isto tem de ser feito hoje. (Quinze segundos suprimidos como documento classificado.)  
Financiamento eleitoral
O presidente norte-americano John Kennedy, através do intervencionismo político no Brasil, ordenou o financiamento das campanhas
Segundo o ex-agente da CIA, Philip Agee, os fundos provenientes de fontes estrangeiras foram utilizados na campanha de oito candidatos aos governos dos onze estados onde houve eleições . Houve também o apoio a quinze candidatos ao Senado, a 250 candidatos à Câmara e a mais de quinhentos candidatos às Assembleias Legislativas
Foram feitas doações através do IBAD. Como a bancada de esquerda aumentou, as doações de campanha resultaram numa CPI, que apurou sua procedência. Veio através dos bancos Royal Bank of Canada, Bank of Boston e First National City Bank. Os militares brasileiros, com respaldo político e econômico das forças da UDN, lideradas por Carlos Lacerda, passaram a modelar um movimento para remover Jango do poder
Pedido de apoio de Lacerda
Lacerda havia pedido uma intervenção dos EUA na política brasileira, conforme entrevista ao correspondente no Brasil do jornal Los Angeles Times, Julien Hart. Sua atitude causou uma crise política com os ministros militares solicitando o estado de sítio e a prisão de Lacerda
O estado de sítio foi recusado pelo congresso, com a esquerda suspeitando que fosse uma armadilha dos militares para prender os líderes de esquerda, como Brizola e Miguel Arraes.
Operações de logística e apoio militar armado da US Navy
Como os arquivos do governo de Lyndon Johnson, abertos vinte anos mais tarde, comprovariam, durante o Golpe militar Brasileiro foi feita uma operação militar chamada Operação Brother Sam para atuar no Brasil em apoio à Operação Popeye dos militares
"Somente no ano de 1962, quase cinco mil cidadãos americanos entraram no Brasil, número muito superior à média histórica conforme estudo de Jorge Ferreira."
Ainda: (sic) "…o deputado José Joffily, do partido Social-Democrático (PSD), denunciou a 'penetration' e, no princípio de 1963, o jornalista José Frejat, através de O Semanário, revelou que mais de cinco mil militares norte-americanos, 'fantasiados de civis', desenvolviam, no Nordeste, intenso trabalho de espionagem e desagregação do Brasil, para dividir o território nacional’’
Darcy Ribeiro citou ainda que "foi desencadeado com forte contingente armado, postado no Porto de Vitória, com instruções de marchar sobre Belo Horizonte".
A "Brother Sam" objetivava abastecer com combustível e armas os militares golpistas. O porta-aviões americano USS Forrestal (CVA-59) e destróieres foram enviados à costa brasileira e ficaram próximos do Porto de Vitória (ES) e serviriam de apoio militar às tropas golpistas caso tropas legalistas decidissem resistir ao golpe.
Envolvimento da CIA
Mais informações: Atividades da CIA no Brasil
Nos telegramas abertos pelos arquivos de segurança nacional americanos, Gordon também reconhece envolvimento americano em "operações secretas de manifestações de rua pró-democracia …e encorajamento [de]sentimento democrático e anticomunista no Congresso, nas Forças Armadas, grupos de estudantes e trabalhadores pró-americanos, igreja, e empresas" e que ele "pode pedir fundos adicionais modestos para outros programas de ações secretas em um futuro próximo". Apesar de parte dos arquivos operacionais da CIA permanecem confidenciais, impedindo os historiadores de medir precisamente o envolvimento direto da CIA no golpe[68], um documento datado de 30 de março de 1964 revela que a CIA, com base em informações colhidas em Minas Gerais, previa o golpe em poucos dias, falando que "a revolução não será resolvida rapidamente" e "será sangrenta".
Cronologia do golpe
Militares da Força Pública, atual Polícia Militar, protegendo o Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, durante o Golpe Militar no Brasil em 31 de março de 1964.
No dia 28 de março de 1964, na cidade de Juiz de Fora, os generais Olímpio Mourão Filho e Odílio Denys se reuniram com o governador de Minas Gerais, o banqueiro Magalhães Pinto. Pinto foi um dos principais financiadores do IPES.

A finalidade da reunião era o estabelecimento de uma data para o início da mobilização que culminaria com o golpe militar de 1964.

As datas

A data estabelecida para o início das operações militares para o golpe foi o dia 4 de abril de 1964. Conforme descrito pelos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo, o general Carlos Guedes, da Infantaria, afirmou que não poderia ser dado o golpe na data planejada, pois "nada que se faz em lua de quarto minguante dá certo". Consta que os golpistas haviam combinado em postergar a mobilização para depois do dia 8 de abril de 1964.
Em 31 de março de 1964 o general Olímpio Mourão Filho resolveu intempestivamente partir com suas tropas para o Rio de Janeiro às três horas da manhã. Este ato, segundo os jornais, foi considerado impulsivo pelo marechal Humberto de Alencar Castello Branco.
Castello Branco, ao saber da partida de Olímpio Mourão Filho, telefonou para Magalhães Pinto com o intuito de segurar o levante. Consta que o Marechal considerava o movimento prematuro e intempestivo.
Pinto argumentou que uma vez iniciado o desenlace, seria um erro parar, pois alertaria as forças legalistas, podendo agravar a situação.

Anos mais tarde o deputado Armando Falcão perguntou ao general Olímpio Mourão Filho o porquê da atitude precipitada. A resposta do militar divulgada pela imprensa foi: "Em matéria de política, sou uma vaca fardada."
Segundo analistas, a precipitação foi um ato temerário de falta de visão estratégica que foi largamente discutido por historiadores e pela imprensa no sentido de que se houvesse reação poderia ter causado uma guerra civil no Brasil. Para tal bastaria que Goulart tivesse uma parcela de apoio de outros segmentos das Forças Armadas leais à Constituição Brasileira, entre elas o general Armando de Moraes Âncora.
A imprensa
Pessoas aglomeradas na porta do jornal Correio da Manhã aguardando o lançamento da edição extra sobre o Golpe de 1964.
Antes do regime militar do Brasil, jornais como O Globo, Jornal do Brasil, Correio da Manhã e Diário de Notícias pregaram abertamente a deposição do presidente. Poucos jornais se opuseram ao golpe, destacando-se entre eles o Última Hora, o Diário Carioca e O Semanário.
Em 31 de março, a maioria da imprensa apoiava o fim do governo João Goulart:

"Seria rematada loucura continuarem as forças democráticas desunidas e inoperantes, enquanto os inimigos do regime vão, paulatinamente, fazendo ruir tudo aquilo que os impede de atingir o poder. Como dissemos muitas vezes, a democracia não deve ser um regime suicida, que dê aos seus adversários o direito de trucidá-la, para não incorrer no risco de ferir uma legalidade que seus adversários são os primeiros a desrespeitar." ― O Globo de 31 de março de 1964.
"(…) Além de que os lamentáveis acontecimentos foram o resultado de um plano executado com perfeição e dirigido por um grupo já identificado pela Nação Brasileira como interessado na subversão geral do País, com características nitidamente comunistas." ― Correio do Povo de 31 de março de 1964.
"O Exército e os desmandos do Presidente.
"Se a rebelião dos sargentos da Aeronáutica fora suficiente para anular praticamente a eficiência da Arma, a subversão da ordem na Marinha assumia as dimensões de um verdadeiro desastre nacional." ― O Estado de S. Paulo de 31 de março de 1964.
"Aquilo que os inimigos externos nunca conseguiram começa a ser alcançado por elementos que atuam internamente, ou seja, dentro do próprio País. Deve-se reconhecer, hoje, que a Marinha como força organizada não existe mais. E há um trabalho pertinaz para fazer a mesma coisa com os outros dois ramos das Forças Armadas." ― Folha de S.Paulo de 31 de março de 1964.
"Basta! Não é possível continuar neste caos em todos os setores. Tanto no lado administrativo como no lado econômico e financeiro." ― Correio da Manhã de 31 de março de 1964.
"É cedo para falar dos programas administrativos, da Revolução. Mas é incontestável que um clima de ordem substituiu o que dominava o País, onde nem mesmo nas Forças Armadas se mantinham nos princípios de rígida disciplina hierárquica que as caracterizam." ― Folha de S.Paulo de 31 de março de 1964.
Segundo o jornalista Fernando Molica, "a grande maioria dos jornais era favorável à derrubada do governo João Goulart e festejou o golpe
Segundo Mino Carta, "a Folha de S.Paulo não só nunca foi censurada, como emprestava a sua C-14 (popular Chevrolet Veraneio), usada para transportar o jornal, para recolher torturados ou pessoas que iriam ser torturadas na Oban, Operação Bandeirante".

A sequência do golpe

Em seguida à marcha de Olímpio Mourão Filho, o general Âncora havia recebido ordem de João Goulart para prender Castello Branco, porém não a cumpriu. Comandando o Destacamento Sampaio para interceptar o Destacamento Tiradentes, comandado pelo general Murici, o general Âncora, embora com tropa muito mais poderosa e armada não entrou em confronto com os militares que vinham de São Paulo. Ao chegar na Região de Resende, deparou-se com cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras em posição defensiva, visando retardar o deslocamento das tropas vindas do Rio. O general Âncora, vendo o futuro da oficialidade do Exército à sua frente, segundo suas palavras "não quis derramamento de sangue brasileiro atirando contra a juventude do país".
Se as forças se enfrentassem no Vale do Paraíba, onde se encontraram, poderia se iniciar uma guerra civil, o que, segundo os cronistas da imprensa, os militares não queriam.
A união das tropas
O II Exército era comandado pelo general Amaury Kruel, que, em contato telefônico com o presidente, recebeu um pedido de apoio para pôr fim ao avanço. Kruel impôs a condição do fechamento do CGT e a prisão de seus dirigentes para apoiar Jango, no que teve a negativa do governante. Então suas tropas se dirigiram para o Rio de Janeiro pela Via Dutra, onde foram interceptadas pelo general Emílio Garrastazu Médici, que estava com os cadetes das Agulhas Negras à sua frente.
No dia 1.º de abril de 1964 houve uma reunião entre Âncora e Kruel, que, convencidos por Médici, se uniram de fato aos demais militares. Durante as negociações, foi decidida a união das tropas.
A prisão de Miguel Arraes e Seixas Dória
Enquanto isto, no Nordeste, Miguel Arraes, governador de Pernambuco, e Seixas Dória, governador de Sergipe, foram presos como traidores da nação.
Jango se refugia no Rio Grande do Sul
O Quarto Exército comandado pelo General Justino Bastos dominava estrategicamente toda a situação, e João Goulart havia voado para Brasília para procurar apoio do Congresso. Na Guanabara, Carlos Lacerda havia posto a polícia à caça de colaboradores de Goulart bloqueando ruas e acessos com caminhões de lixo. As tropas da polícia de Lacerda chegaram a cercar o palácio Guanabara, numa tentativa de prender o Presidente da República.

Enquanto era perseguido pelos golpistas, Goulart reuniu-se com o general Nicolau Fico, comandante militar de Brasília, e o general Assis Brasil, chefe da Casa Militar.
Preparou um comunicado à nação, informando que iria para o Rio Grande do Sul para se unir às forças do III Exército, sob o comando do general Ladário Teles, informando sobre o golpe e conclamando a população a lutar pela legalidade.
Darcy Ribeiro e Waldir Pires falaram à população pela televisão. O governo ainda controlava os meios de comunicação em Brasília. O presidente tentou viajar para Porto Alegre em avião de carreira, porém a decolagem foi sabotada por golpistas. Jango voou então no avião presidencial, arriscando-se a ser abatido por militares.
Apesar do acordo com o general Nicolau Fico estabelecer que as tropas ficariam nos quartéis em Brasília, os militares ocuparam as imediações do Congresso para impedir manifestações populares. Estas estavam previstas se os congressistas se reunissem para votar o impedimento do presidente.
O motivo seria o fato do chefe da nação ter se ausentado do país. Darcy Ribeiro fez então um comunicado, lido por Doutel de Andrade na tribuna do Congresso Nacional, já na madrugada do dia 2 de abril.


A ação do Congresso

Ranieri Mazzilli
Em 2 de abril, o senador Auro Soares de Moura Andrade (UDN), presidente do Congresso Nacional, apesar de o presidente da República estar no país, declarou vaga a presidência. Alegou que o presidente havia saído do Brasil e que o comunicado de Darcy Ribeiro era mentiroso.

Andrade empossou o presidente da Câmara Ranieri Mazzilli como governante provisório, ato considerado anos depois por juristas como irregular. Em seguida mandou desligar os microfones e as luzes rapidamente, sob protestos de Tancredo Neves. Ranieri, que havia estado na Presidência por treze dias em 1961, quando Jânio renunciou e Jango estava voltando da China, foi presidente até 13 de abril, mas o poder de fato passou a ser exercido por uma junta, autodenominada Comando Supremo da Revolução, composta por três de seus ministros: o general Artur da Costa e Silva (Exército), o vice-almirante Augusto Rademaker Grünewald (Marinha) e o tenente-brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo (Aeronáutica).
Humberto de Alencar Castelo Branco
O Congresso Nacional, em eleição no dia 11 de abril de 1964, elegeu Presidente da República o marechal Castelo Branco, então Chefe do Estado-Maior do Exército, que recebeu 361 votos contra 72 abstenções, 37 faltas, 3 votos para Juarez Távora (militar deputado federal do Estado da Guanabara pelo PDC) e 2 votos para Eurico Gaspar Dutra (militar ex-presidente do Brasil, filiado ao PSD). Como Vice, foi eleito o deputado federal pelo PSD José Maria Alkimim, secretário de finanças do governo de Minas Gerais, que recebeu 256 votos no 2.º escrutínio, praticamente sem oposição, uma vez que Moura de Andrade desistiu da disputa.
Os participantes do Congresso Brasileiro criaram assim condições para o golpe militar e a ditadura que se seguiria.
Jango vai embora do Brasil

Consta que Darcy Ribeiro tentou convencer o presidente a resistir. Darcy considerava que o governo deveria resistir usando a aviação, comandada pelo brigadeiro Teixeira, para conter as tropas de Olímpio Mourão Filho, composta de recrutas desarmados, e os fuzileiros, comandados pelo contra-almirante Aragão, que poderiam então prender Carlos Lacerda e Castello Branco.
Goulart se recusou a resistir pois fora informado que os golpistas tinham o apoio da armada americana, que estava se encaminhando para o Brasil, o que poderia conflagrar uma guerra civil. João Goulart tinha o apoio do III Exército comandado pelo general Ladário Teles, e de Leonel Brizola. Porém decidiu ir embora do Brasil. A partir de então teria surgido uma dura inimizade entre Brizola e João Goulart, que perduraria até 1976.]
O general Argemiro de Assis Brasil foi figura determinante na fuga de Jango do país durante o golpe, pois protegeu-o e à sua família, guiando-o em segurança para o Uruguai. Ao se apresentar às autoridades que assumiram ao poder, o general foi preso, processado e sua carreira profissional interrompida sendo considerado traidor. Perante o Exército Brasileiro o general Assis Brasil passou a ser considerado morto.
Consolidação do regime militar

O jornal Última Hora e a sede da UNE foram destruídos por militantes de Lacerda, muitas das organizações que apoiavam Jango tiveram seus líderes presos e perseguidos pela ditadura e muitas das organizações que apoiavam Jango tiveram seus líderes perseguidos e presos.

À imediata imposição de um estado de exceção, com a suspensão dos direitos civis, seguiu-se a instauração de uma ditadura militar, política e economicamente alinhada aos Estados Unidos - o que, segundo o novo governo, era primordial para a modernização do Brasil. A frase "O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil" resumia uma espécie de doutrina vigente.
Base de apoio militar
O movimento político militar de 1964 foi um golpe de estado, portanto não somente militar. O Congresso e a sociedade civil tiveram sua parcela de responsabilidade aceitando o patrocínio financeiro e logístico dos Estados Unidos. A "Operação Brother Sam", conforme amplamente divulgado pela própria imprensa nacional e estrangeira, teve papel importante em respaldar a "Operação Popeye", deflagrada por Olímpio Mourão Filho. O National Security Archive, entidade de pesquisa e divulgação de documentos secretos do governo norte-americano, por ocasião dos quarenta anos do golpe militar, divulgou documentos (em domínio público) do primeiro escalão do governo norte-americano da época.
Segundo os arquivos, para o presidente Lyndon Johnson o que estava em jogo era o confronto global entre o comunismo soviético e a democracia. Por essa razão Johnson estava disposto a fazer o que fosse preciso para ajudar o movimento que derrubou João Goulart.

A embaixada e os consulados norte-americanos no Brasil tinham agentes da CIA encarregados de levantar informações sobre as atividades de comunistas e militares no Brasil.
Segundo matéria da revista Veja, em sua edição 1 848, de 7 de abril de 2004, "os militares e empresários que conspiravam contra Jango tinham o hábito de pedir apoio aos americanos para suas aspirações golpistas, revela um relatório de Lincoln Gordon de 27 de março de 1964. (…) Uma nova leva de papéis foi publicada na semana passada no site do National Security Archive".
A quebra da hierarquia

Uma justificativa apresentada à opinião pública pelos militares após a revolução era a de que este era um movimento político militar para derrubar Jango e restabelecer a hierarquia militar vertical abalada nas Forças Armadas, pelo apoio do presidente da República à luta emancipatória dos sargentos e marinheiros, que queriam candidatar-se a cargos públicos. Este era "ato considerado irregular pela própria legislação e pela Constituição vigente". Também afirmavam que queriam evitar a contaminação das doutrinas de esquerda no Brasil pelos chineses, cubanos e soviéticos. Afirmavam ainda que a finalidade do golpe foi também controlar a inflação e colocar o país "nos eixos".
O golpe de 1964 se transformou numa sucessão de atos institucionais, mas também de construções de grandes obras. A modernização elevou o país como uma das grandes economias mundiais. As dívidas geradas pelas famosas "obras faraônicas", ao final da ditadura, geraram uma inflação galopante que levaram o Brasil a um período conhecido posteriormente como "A década perdida"

As promessas

No início houve a promessa à elite, à classe média e à população em geral (noticiada fartamente no rádio, na televisão e na imprensa em geral), que a Constituição de 1946, a normalidade democrática e as eleições seriam preservadas e restabelecidas rapidamente (em 1966, no mais tardar), logo ao final do mandato de Jango, que estaria sendo preenchido pelos interventores militares.
Segundo a Fundação Getúlio Vargas:
"(sic) …o golpe militar foi saudado por importantes setores da sociedade brasileira. Grande parte do empresariado, da imprensa, dos proprietários rurais, da Igreja católica, vários governadores de estados importantes (como Carlos Lacerda, da Guanabara, Magalhães Pinto, de Minas Gerais, e Ademar de Barros, de São Paulo) e amplos setores de classe média pediram e estimularam a intervenção militar, como forma de pôr fim à ameaça de esquerdização do governo e de controlar a crise econômica."
No pensamento vigente da época, o Brasil estava perdido em greves, "baderna", corrupção, "roubalheira" e inflação, portanto haveria que ser feito algo urgente para restabelecer uma suposta ordem democrática.
A propaganda institucional (ver IPES) era farta. A sociedade estava dividida pela ideologia.
É alegado que qualquer que fosse a direção tomada, fatalmente o Brasil seria uma ditadura, ou de esquerda, ao estilo soviético, chinês, ou cubano, ou de direita, como tantas outras que floresceram na América Latina.
Assim, houve a ditadura de direita, alinhando-se ao bloco liderado e financiado pelos Estados Unidos.
Após o golpe de 1964
Logo após o golpe de 1964, em seus primeiros 4 anos, a ditadura foi endurecendo e fechando o regime aos poucos. Vieram os atos institucionais, artificialismos criados para dar legitimidade jurídica a ações políticas contrárias à Constituição Brasileira de 1946, culminando numa ditadura. O período compreendido entre 1968 e 1975 foi determinante para a nomenclatura histórica conhecida como "anos de chumbo".
Dezoito milhões de eleitores brasileiros sofreram das restrições impostas por seguidos atos institucionais que ignoravam e cancelavam a validade da Constituição Brasileira, criando um estado de exceção, suspendendo a democracia.
Querendo impor um modelo social, político e econômico para o Brasil, a ditadura militar no entanto tentou forjar um ambiente democrático, e não se destacou por um governante definido ou personalista. Durante sua vigência, a ditadura militar não era oficialmente conhecida por este nome, mas pelo nome de "Revolução" e seus governos eram considerados "revolucionários". A visão crítica do regime só começou a ser permitida a partir de 1974, quando o general Ernesto Geisel determinou a abertura lenta e gradual da vida sócio-política do país.
O golpe também foi recebido com alívio pelo governo norte-americano, satisfeito de ver que o Brasil não seguia o mesmo caminho de Cuba, onde a guerrilha liderada por Fidel Castro havia conseguido tomar o poder. Os Estados Unidos acompanharam de perto a conspiração e o desenrolar dos acontecimentos, principalmente através de seu embaixador no Brasil, Lincoln Gordon, e do adido militar, Vernon Walters, e haviam decidido, através da secreta "Operação Brother Sam", dar apoio logístico aos militares golpistas, caso estes enfrentassem uma longa resistência por parte de forças leais a Jango. Em 31 de março, a Casa Branca ordenara o deslocamento do porta-aviões "Forrestal" e de uma força-tarefa para a área oceânica nas vizinhanças de Santos. No dia 1.º, The New York Times anunciava em sua primeira página, num artigo de 1.039 palavras: "Região militar no Brasil se rebela contra Goulart".

Correntes ideológicas militares

Segundo o tenente-coronel de Infantaria e Estado-Maior do Exército Brasileiro Manoel Soriano Neto, em palestra comemorativa proferida na AMAN em 12 de setembro de 1985, em homenagem ao centenário do marechal José Pessoa:
"Com as desavenças que grassavam na corrente outubrista, o tenentismo vem a se desintegrar. Tal fato se dá após a Revolução de 1932, mormente durante o ano de 1933, quando se formava a Assembleia Nacional Constituinte. Parcelas das Forças Armadas se desgarraram para a esquerda e para a direita, incorporando-se à Aliança Nacional Libertadora e à Ação Integralista Brasileira, que apregoavam ideologias importadas, não condizentes com a idiossincrasia de nosso povo."
Portanto, dentro das forças armadas brasileiras, existia uma grave cisão interna de ordem ideológica e, ainda havia outra divisão entre os moderados e a linha dura.
Porém havia também o sentimento patriótico autêntico que manteve ocultas da população todas as desavenças internas.
Os grupos concorrentes entre si defendiam pontos de vistas diferentes:
Um grupo defendia medidas rápidas diretas e concretas contra os chamados "subversivos" ou "inimigos internos". Estes militares apoiavam sua permanência no poder pelo maior tempo possível.
Ao contrário do grupo anterior, o segundo era formado por militares que tinham por doutrina a tradição de intervenções "moderadoras". Estes procuravam permanecer no poder somente o tempo necessário até se formar um governo aceito pelo grupo, a exemplo do que ocorrera em 1930, 1945 e 1954, quando, passado o período de "maior risco institucional", haveria um rápido retorno do poder para os civis.

Doutrina da segurança nacional

Para os dois grupos era necessário salvaguardar o Brasil contra o poder do comunismo internacional (além do anti-getulismo; leia-se "anti-populismo").
Segundo a doutrina dos militares, o inimigo devia ser extirpado a todo custo e os governos populistas seriam uma porta de entrada para a desordem, subversão e propiciariam a entrada de ideologias nocivas à nação.
As facções contrárias internamente nas forças armadas acabaram se unindo apesar da não concordância metodológica. Desta forma, os militares mais radicais se aglutinaram ao general Costa e Silva, e os mais estratégicos ao general Humberto de Alencar Castelo Branco.
Muitos militares da época afirmam que se a orientação filosófico-ideológica das forças armadas fosse para a esquerda, estas defenderiam da mesma forma a linha de pensamento, somente o inimigo que mudaria de lado, o que importava era a segurança da Nação.
Beneficiados
Entre os que apoiariam o golpe militar, havia muitos especuladores de capital, banqueiros, grandes latifundiários, setores da indústria mecânica, construção civil, e principalmente políticos oportunistas que trocavam de partido independente da sua orientação ideológica.
Os maiores financiadores do golpe foram notadamente as grandes oligarquias do Brasil, além das multinacionais e do próprio governo estadunidense.
O IPES, principal órgão de suporte ideológico do golpe, tinha como maiores financiadores seis empresas: Refinaria União, Construtora Rabelo, Light, Cia Docas de Santos, Icomi, Listas Telefônicas Brasileiras, além de trezentas empresas norte-americanas de menor porte.

Milagre econômico

Ver artigo principal: Milagre brasileiro
O surto de crescimento econômico que ocorreu em seguida ao golpe militar, chamado de "Milagre brasileiro", caracterizado pela modernização da indústria e pelas grandes obras, estava de fato ocorrendo. Porém, também havia os interesses de grandes grupos econômicos e a especulação do capital. Estes tinham interesse nos lucros advindos da ditadura forçando a construção de grandes obras de infraestrutura.

Naquela época, fortunas gigantescas foram ganhas às custas de empréstimos externos. Dizem alguns que o retorno do investimento das empresas e grupos multinacionais era necessário, o montante aplicado no golpe foi imenso. O problema não equacionado foi o custo social do retorno.
O Brasil cresceu, sendo elevado à oitava economia do planeta, mas endividou-se exponencialmente.
Ao primeiro sinal de crise, entre 1973 e 1974, o capital especulativo volátil se foi para outras praças mais seguras, deixando o país num beco sem saída. Os empréstimos a juro barato se extinguiram, o crescimento desacelerou, o país entrou em grandes dificuldades de caixa e principalmente de liquidez. Muitas obras pararam ou tiveram sua qualidade diminuída em função da falta de dinheiro para um término adequado, outras foram inauguradas às pressas.
A aceleração inflacionária começou lenta, gradual e constante. A economia de aproximadamente 67% da massa populacional (em torno de 40 milhões de pessoas) teve uma redução abrupta, o povo empobreceu e se endividou rapidamente junto ao sistema financeiro, o que gerou escassez de capital e aumentou a impressão de papel-moeda, que realimentou a inflação, que por sua vez alimentou a escassez.
A pressão social foi aumentando exponencialmente, e todos começavam a maldizer o governo, inclusive os próprios servidores públicos, apesar de isso ser proibido.
O governo militar, prevendo onde isso poderia chegar, viu-se forçado a mudar de estratégia. Já em meados de 1976, iniciou um lento processo de abertura democrática e adequação social. Este processo não poderia ser rápido demais, pois poderia haver uma explosão social, nem muito lento, pois a recessão advinda poderia destruir a economia do país.

Ato Institucional Número Um

Em 9 de abril de 1964, com a assinatura do Comando Supremo da Revolução, junta composta pelo general do exército Artur da Costa e Silva, tenente-brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo e vice-almirante Augusto Hamann Rademaker Grünewald, todos ministros de Ranieri Mazzilli, foi publicado o Ato Institucional Número Um, ou AI-1, que suspendeu por dez anos os direitos políticos de todos aqueles que poderiam ser contrários ao regime, intimidando os congressistas com a ameaça de cassações, prisão, enquadramento como subversivos e expulsão do país. A Lei de Segurança Nacional, que seria publicada em 3 de março de 1967, teve seu embrião no AI-1.
O primeiro paragrafo do AI-1, conforme já observado, mostra a preocupação de legitimar imediatamente o novo regime:
"…É indispensável fixar o conceito do movimento civil e militar que acaba de abrir ao Brasil uma nova perspectiva sobre o seu futuro. O que houve e continuará a haver neste momento, não só no espírito e no comportamento das classes armadas, como na opinião pública nacional, é uma autêntica revolução… A revolução se distingue de outros movimentos armados pelo fato de que nela se traduz não o interesse e a vontade de um grupo, mas o interesse e a vontade da Nação… A revolução vitoriosa se investe no exercício do Poder Constituinte. Este se manifesta pela eleição popular ou pela revolução. Esta é a forma mais expressiva e mais radical do Poder Constituinte. Assim, a revolução vitoriosa, como Poder Constituinte, se legitima por si mesma."

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