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terça-feira, 22 de maio de 2012

Estranho desejo um filme de Jean Garret com produção de Marinho Guzman e Carlos Duque 1.983

NOSSO CINEMA

O que leva uma mulher jovem, bonita, casada, mãe de dois filhos, a procurar violentas fantasias sexuais fora do casamento ? A resposta está no mais novo filme de Jean Garret, Estranho Desejo, interpretado pela sensualíssima Márcia Porto, a linda morena global da novela das seis.

Big Man Internacional viu também, com exclusividade, o mais novo filme de Tony Vieira, Prostitutas pelo Vício, uma aventura policial, no universo da cocaína. De passagem pelos cinemas da cidade, viu Os Trados, que narra, com muita violência, a história de dois raptos; e conversou com Deni Cavalcanti, ator de vários filmes eróticos e realizador de Aluga-se Moças.

Por Edward Janks

SE É MACHO, SENTE

Quem não se lembra de Gretchen, nua em pêlo, mostrando generoso bumbum e aquela xoxota desejada por tantos brasileiros; ou de Rita Cadillac, sem nenhuma roupa, num filme cheio de lances quentíssimos ?

O responsável pelas proezas é Deni Cavalcanti, um paulista de 33 anos, hoje um dos mais conhecidos e conceituados realizadores da Boca do Lixo (SP). O filme é Aluga-se Moças.

Deni Cavalcanti, originariamente cantor da noite, conta que a sua carreira começou há seis anos, quando um dia foi ao escritório do diretor Roberto Mauro, “que olhou pra mim e achou que eu tinha cara de galã de cinema”. Seu primeiro filme foi Será que Ela Agüenta ?, ao lado de Wilza Carla, passo inicial de uma carreira hoje com vários trabalhos como ator, o nascimento de uma empresa muito bem situada- a Madial Filmes- e a passagem para produtor e diretor de seus filmes.

Como foi a sua primeira cena de sexo filmada ? Deni responde, sorrindo: “Um desastre. Era uma cena na cama. Eu olhava para a moça e pedia pra ela: será que dá licença...como é que faz, onde eu posso pegar ?”.

Uma curiosidade muito provável de boa parte do público que curte cinema erótico é saber se, nas cenas de sexo implícito ou explícito, o ator e atriz sentem mesmo a cena, fingem ou realmente vão a luta e gozam. Deni não se faz de rogado ao abordar tal questão:

- Claro que sente, seria anormal se fosse ao contrário- eu encosto numa mulher e não sinto nada. Conversa; se é macho, sente. Não tenha dúvida.

Possuidor de uma filmografia invejável, cerca de vinte filmes, Deni afirma que ainda não realizou nenhum filme com cenas de sexo explícito. Como ator diz que não faria sexo explícito, mas como diretor “encara qualquer barra”. Cenas de homem com homem jamais faria como ator e provavelmente não filmaria como diretor.

- O meu conceito não permitiria. Aceito, até. Filmaria muitas cenas de mulher com mulher, eu acho bonito.

O trabalho dos atores e atrizes que atuam na Boca é visto com certa ironia por algumas pessoas. Deni discorda: “Acho que na pior das hipóteses é um trabalho que se faz e em que se ganha honestamente”.

Mas nem sempre a carreira do ator de filmes eróticos é pontilhada de realizações favoráveis por parte dos espectadores.

- Tem aquele camarada que olha pra minha cara e diz: cara de moleque, de bonzinho e faz umas puta sacanagens.

Tais reações Deni classifica de moralismo, ou mais precisamente de um falso moralismo, porque, explica “no fundo, este cara queria ser você”.

Outros espectadores, por sua vez reagem com admiração.

- Alguns homens me acham um puta de um herói e comentam: pô, este cara com este bando de mulheres...

Sobreviver como diretor e produtor no cinema é uma verdadeira arte. Nesse ponto, Deni apresenta uma carreira de acertos que ele contribui ao seu faro em escolher boas estórias e ao trabalho com uma equipe competente.

Saber comercializar um filme é outro ponto vital. Deni diz que “conhece todos os cinemas do Brasil”. Antes do filme estar censurado ele já está providenciando a sua provável carreira e lhe garantindo o sucesso.

Uma questão fundamental: pornôs brasileiros versus pornôs estrangeiros. Deni se mostra muito tranqüilo em responder os filmes brasileiros tem mais molho. “Eles (o pornô estrangeiro) são uma coisa muito fria, calculista, matemática. A gente tem muito mais jogo de cintura”.

Para finalizar, Deni enumera os filmes que a sua empresa deverá lançar brevemente e revela alguns projetos em andamento.

“Para lançar um filme dirigido pelo John Doo, que é A Cadela da Praia, uma estória que gira em torno de três ou quatro moças e foi filmada em Ubatuba, num cenário maravilhoso. Um filme de José Miziara, Mulher, Sexo e Veneno e um filme de Diogo Angélica, produção minha e do Geraldo Meireles. Não é um filme sertanejo, é um filme de sacanagem mesmo. Estou filmando com o Sérgio Reis, um trabalho intitulado O Filho Adotivo, que será censura livre, e provavelmente faça outro filme com a Gretchen”.

ESTRANHO DESEJO

Estranho Desejo, dirigido por Jean Garret, deverá estrear brevemente nos cinemas de São Paulo. É um ótimo trabalho e provavelmente se constituirá num dos grandes êxitos da próxima temporada.

Um dos muitos méritos do filme é presentear o espectador com o esplendor e a sensualidade da nudez total de Márcia Porto- atriz global da novela das seis- em situações que a televisão jamais terá coragem de mostrar.

Clarisse (Márcia Porto) estaciona seu carro à noite, em uma rua em um bairro afastado. Aparentemente volta para casa, ou vai visitar alguém. Não longe dali, dois indivíduos bem fortes a observam. Desprotegida, ela desce do carro e caminha pela rua. Os dois homens começa a persegui-la, e a alcançam em frente a uma construção abandonada, para onde a levam à força. Clarisse é estuprada de forma violenta.

No dia seguinte, um dos estupradores aparece na casa de André (Renato Kramer), um homossexual que é ator e autor teatral, para receber um cheque como pagamento pelo ato praticado.

Clarisse segue vida normal, cuidando dos filhos, praticando esportes, encontrando amigos. Até que num outro dia, em plena Marginal, fura o pneu do seu carro. Aparecem dois homens que a seqüestram e levam á força para um barco. Clarisse é estuprada novamente.

Ela volta para um outro apartamento, troca de roupa, troca de carro e vai embora para a sua casa. Neste mesmo dia seu marido (Paulo Ramos), numa rara atitude, procura-a para uma relação sexual. Ela aceita sem a menor contestação e sem saber que estava com uma doença venérea, contraída num dos estupros.

Clarisse aparece no apartamento de André e ficamos sabendo que os dois são amigos. E o que é mais surpreendente: é a seu pedido que André contrata e envia homens para estuprá-la. Ela paga para que André produza estas encenações que, na prática, são o fruto de suas fantasias sexuais.

Michel- o marido de Clarisse- descobre que está com gonorréia. Mas, como ele costuma ter relações extraconjugais, nem de longe suspeita que foi a própria mulher que lhe passou a doença venérea. A partir deste momento evita relacionar-se sexualmente com ela.

Por seu lado, Clarisse, tendo também descoberto estar com gonorréia gfinge uma viagem e vai para o apartamento emprestado de uma amiga, para se tratar da doença.

Nestes dias em que fica sozinha, Clarisse é seguida por um desconhecido. Armado de um revolver, o estranho invade o seu quarto e a estupra violentamente.

Furiosa, Clarisse vai procurar André, dizendo que não havia combinado este encontro e acaba descobrindo que foi estuprada pra valer, desta vez o ato não foi encenado.

Apesar de já estar curada, o trauma causado pelo estupro verdadeiro faz Clarisse pensar que foi contaminada novamente. Ele prolonga a sua estada no apartamento para realizar novos exames médicos. Só depois, ao saber que está tudo bem, volta para casa sem enfrentar outros problemas.

Mas um dia, Michel, alertado por uma mancha no pescoço de Clarisse, deixada indevidamente por um dos homens com que ela transou, resolve contratar um detetive particular para segui-la.

Informado do resultado da investigação, Michel não consegue entender como sua mulher está tendo um caso com um homossexual, mas acaba convencendo-se do fato e vai procurá-la para tomar satisfações.

André tenta explicar o mal-entendido e Michel reage com violência, obrigando o homossexual a contar todos os detalhes da história.

Abalado com a verdade, Michel diz para André que gostaria de estuprar sua mulher. Sem saber de nada, Clarisse liga para André e pede que lhe “prepare” uma transa qualquer. André prepara tudo e avisa Michel. No dia e hora marcados, Michel comparece ao encontro, venda os olhos de Clarisse e a estupra.

Quando percebe que é seu marido que está ali, Clarisse deamais. Quando acorda, depara com Michel sentado ao lado de André- que ali acorrera uma tragédia- e sente-se humilhada e indignada com aquela invasão de sua privacidade.

Michel, por sua vez, está calmo e contente por descobrir uma nova faceta de sua mulher. Num diálogo final, os dois concordam que estas fantasias sexuais não seriam necessárias se houvesse um relacionamento mais ativo e um diálogo constante entre o casal.

Marinho Guzman, um dos produtores de Estranho Desejo, comenta que houve extremo cuidado na realização do filme, para que o público recebesse “um trabalho bonito, ao mesmo tempo violento e muito bem interpretado”.

Em sua opinião, Estranho Desejo não pretende ser só um filme da Boca. “Ele é um filme que vai passar na Boca, nos Jardins, na Zona Sul do Rio de Janeiro; porque além de sexo, ele tem conteúdo”.

Concluindo, Marinho afirma que o filme pode criar uma polêmica em âmbito nacional sobre “os direitos do homem e da mulher, do mau relacionamento e do sexo fora do casamento”.



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Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2010 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)

180 - Estranho Desejo (1983), de Jean Garret ****

Na década de 1980, Márcia Porto causou furor e foi das sexy simbols mais desejadas do país. Era época em que ser celebridade queria dizer muito mais que rostos forjados à estrelas por programas de TV sensacionalistas e pela imprensa rasteira de fofoca. Modelo e atriz, posou para Ele e Ela e Playboy, desfilou exuberante na Sapucaí, e marcou presença em programas humorísticos e novelas - o auge está na ótima minissérie A Máfia no Brasil (1984), de Leopoldo Serran, em que fazia par explosivo com o bandidaço Reginaldo Faria. E é Márcia Porto a estrela absoluta desse Estranho Desejo, de Jean Garret. Com argumento e roteiro de Carlos X. Shintomi e fotografia de Antonio Meliande, o filme conta a história de Clarisse, uma mulher bem casada e mãe de dois garotos. Só que o clima luminoso de família de margarina fica só na fachada, pois o que ela gosta mesmo é de ser currada, em fantasias sexuais cada vez mais picantes. Certo dia descobre que contraiu gonorréia, e com medo do marido descobrir inventa viagem para dar tempo de fazer o tratamento. O que não sabe é que Paulo Ramos, o marido bem-comportado, também apronta as suas e, ao mesmo tempo, também descobre a gonorréia, que pode ter herdado em noites nas zonas da vida. Eles escondem o segredo um do outro, sem imaginarem que com isso o casamento vai tomar caminhos inesperados. O reinado de Mária Porto durou apenas aquela década, ainda que jamais tenha perdido seu lugar no imaginário popular. No cinema fez só dois filmes, mas deu sorte, já que foi dirigida por dois dos cineastas mais talentosos da Boca do Lixo, Cláudio Cunha e Jean Garret. Há no cinema brasileiro uma linhagem de diretores que sempre reservou personagens femininos importantes para suas histórias, como Walter Hugo Khouri, Paulo César Saraceni, Carlos Reichenbach, David Neves, Alberto Salvá e Cláudio Cunha. E nesse grupo, um lugar de honra está reservado para Jean Garret. As mulheres do cinema do grande mestre são sempre fortes, senhoras de seus destinos, e nunca abrem mão da complexidade pisicológica e dos prazeres do corpo. Nesse Estranho Desejo não é diferente, pois ainda que em princípio Márcia Porto pareça apenas uma dondoca com dinheiro suficiente para pagar seus delírios em segurança, vê-se, o tempo todo, uma complexidade maior na sua história, sobretudo como ela é contada e filmada - só mesmo no cinema de Garret um estupro verdadeiro é todo coreografado com efeitos de luz e sombra, mais música climática, sem que isso pareça gratuito ou sensacionalista. E sem medo de parecer pedante, sua heroína usa Gritos e Sussuros (1972), de Ingmar Bergman, como mentira deslavada, lê O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, assiste o libertário Inquietações de Uma Mulher Casada (1978), de Alberto Salvá, mas não abre mão do mudo-cão e alternativo, seja nas transas em construções ou na amizade com diretor de teatro gay experimental. Em registro bem diferente de outras atrizes mais densas e experientes de outros filmes de Garret - Aldine Muller em A Mulher que Inventou o Amor (1980), Angelina Muniz em Karina - Objeto do Prazer (1982)- aqui a personagem cabe como uma luva na persona de Márcia Porto, linda e exuberante. Estranho Desejo é um dos últimos filmes antes de Jean Garret -morto aos 50 anos - entrar no filão do sexo explícito, com carreira que depois se finda, desse que é um dos maiores cineastas brasileiros de todos os tempos e dono de filmografia sensacional. Mesmo que boa parte de teóricos obtusos de cinema brasileiro insiste em não reconhecer sua genialidade.

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