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domingo, 30 de dezembro de 2012

Me engana que eu gosto.



Há muitas maneiras de enganar a fome e algumas de tornar palatável o dia a dia das pessoas.
Nem todas as verdades podem ser ditas, algumas devem ser esquecidas num canto da memória bem difícil de ser acessado.
Os defeitos das pessoas que para uns são insuportáveis, para outros passam despercebidos e a convivência harmônica e pacífica exige que nós nos enganemos um pouco.
O que importa se o vizinho não é um bom pai ou se a mulher dele tem pouca cultura e nenhuma educação?
Nada... nada...
A regra me afasta das pessoas que não comungam com meus ideais, ideias, e que aceitam um pouco de desonestidade nas suas relações de convivência.
Isso é tudo.
Essa história de que as pessoas gostam de ser enganadas é um engano.

Feliz Ano Novo!


Nos últimos dias de 2.011, escrevi um texto quase amargo de desabafo, pelo pior ano que me lembro em toda a minha vida (http://www.marinhoguzman.com/2011/12/tudo-pronto-tudo-velho-para-o-ano-novo.html)
Parece que funcionou. Minhas pragas pegaram todas. Vejo meus desafetos continuarem iguais ou piores do que sempre foram. Uns merdas!
Em compensação, fui recompensado com muito mais do que mereci, e a repetição, como um mantra, de que Deus não demora, ele tem seu tempo e quando o tempo chega ele capricha, aliada às minhas costumeiras boas ações no dia a dia, fizeram com que 2012 fique marcado como o melhor ano da minha vida.
A melhor  notícia foi a cura total da minha querida Amanda Palma do problema que colocou à prova a sua fibra.
Ela tem todos os predicados e precisou deles e de uma dose extra de fé em Deus para aos trinta anos enfrentar com coragem o que derruba muitos, quase todos.
Depois, desde que me mudei para o Guarujá há mais de vinte anos, lutei muito e ferozmente, para que a cidade mudasse para melhor.
A insistência em não reconhecer a minha falha estava, sem que eu percebesse, minando minhas forças, abalando minhas crenças e me deixando fragilizado perante uma corja de bandidos travestidos de políticos que ano a ano transformaram a cidade no que ela é definida por um querido amigo. “A melhor cidade ruim que se tem para viver.”
No exato momento em que reconheci ter perdido a batalha e desisti de gastar energia boa com gente ruim, as coisas começaram a mudar e posso dizer que depois de entregar às pessoas ruins o que elas queriam tirar de mim, livrei-me  desse peso. 
Acabaram-se os problemas e Deus agiu porque chegou a hora, me dando muito mais do que eu esperava e o tanto que ele achou que eu merecia.
O próximo ano promete ser ainda melhor do que esse que finda.
Com tudo que preciso e a querida Amanda Palma ao meu lado, os que me conhecem bem sabem do que eu estou falando e espero que os que não conhecem tão bem acreditem.
Vale a pena agradecer a Deus todos os dias. Um desses dias ele também vai achar que chegou a sua hora e você vai ver do que eu estou falando.
Feliz Ano Novo para todos! Graças a Deus!

sábado, 29 de dezembro de 2012

"PAMPS BOY" AGAIN‏



00:26
rodolfo casanova
Para petrov@hcancerbarreto.com.br, edson.cosac@gmail.com, apetroff@odebrecht.com, convictadoc@ig.com.br, mariorubenc@yahoo.com, falecomodono@uol.com.br, fonseca.sylvio@gmail.com, l.pannain@globo.com, mma13@uol.com.br, beltracchi@yahoo.com.br, mmezanetti@hotmail.com
De:rodolfo casanova (rudy.casanovaneto@hotmail.com)
Enviada:sábado, 29 de dezembro de 2012 00:26:21
Para:petrov@hcancerbarreto.com.br; edson.cosac@gmail.com; apetroff@odebrecht.com; convictadoc@ig.com.br; mariorubenc@yahoo.com; falecomodono@uol.com.br; fonseca.sylvio@gmail.com; l.pannain@globo.com; mma13@uol.com.br; beltracchi@yahoo.com.br; mmezanetti@hotmail.com

 
A toda turma da "Rua Pamplona" dos encontros diários na esquina da Al. Jaú, "os PAMPS BOYS"
 
André Petroff, Arthur Bonvitini, Ivo, Boian Petrov, Marião E.Zanetti, Edson Cossac Bortolay, Marcos A.Bonvitini
Mario Rubens, o Lista (Luiz TarcisoB.Arango, Silvio W.M Fonseca, Marinho Guzman, Luiz Cesar Pannain (Galo),
 Marcia Fernandes, Henrique (Turco), José Carlos Scaff, Regininha & Paulinho, Marina Zanetti, Rafael,
Pingo (garçon), Carlos.  
In memória: Alemão, Domenico, João Detran, Beto (fusca), Durval (locadora roupas) 
 
Natal chegou, um novo ano se inicía e as saudades estarão sempre em nossos pensamentos nostalgicos com amigas
e amigos queridos:
 
"Um dia a maioria de nós irá se separar".

Sentiremos saudades de todas as conversas que jogamos fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos
que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos.
 
Saudades até dos momentos de lágrimas das vésperas de finais de semana, de finais de ano. Enfim... do companheirismo 
vivido. 
Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue sua vida. Talves continuemos
a nos encontrar. Quem sabe, nos e-mails trocados....
 
Podemos nos telefonar, conversar algumas bobagens ...
Passarão dias, meses, anos ... até este contato torna-se cada vez mais caro.
Vamos nos perder no tempo ...
 
Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos
amigos. Isso vai doer tanto ...
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente ...
 
Quando nosso grupo estiver incompleto ... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. Entre lágrimas, nos 
abraçaremos. Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.
 
Por fim, cada um vai para seu lado para continuar a viver sua vida isolada do passado. 
-E nos perderemos no tempo mais uma vez.
 
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixe que a vida passe em branco e que pequenas adversidades
sejam a causa de grandes tempestades ...
 
"Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas elouqueceria se
morressem todos meus amigos". (Vinício de Moraes)
 
Esta é uma mensagem pra você que tá bem perto e tão longe de mim. Ou tão longe e tão perto.
Os verdadeiros amigos, a amizade sincera permanece para sempre em nossas vidas em qualquer momento. Independente
da distância.
 
Feliz Natal e Ano Novo com muitas felicidades a toda família.

 
ET.: Peço desculpas pelo meu sesaparecimento, tive problemas de saúde, acidente, trabalho entre outros, mas continuo na
luta. Houve um problema neste ano com a Microsoft e perdi todo arquivo na internet,
Segue meu novo endereço : rudy.casanovaneto@hotmail.com . Tel.: (11) 3289.0364 (manhã) / 99980.3416 (cel).
 
A todos, um grande abraço e um BEIJINHO
 
Rudy  ( Rodolfo Barraco Neto, meu novo nome) 
 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Cuidado com o álcool !

Todo mundo está cansado de saber que se trata de uma droga. Da categoria das permitidas e aceitas mas ainda uma droga. As coisas andam bem longe do brinde, do acompanhamento de uma refeição, daquela primeira dose que acelera os batimentos cardíacos e desinibe as primeiras palavras. O que se vê é o exagero da bebida alcoólica com mil desculpas e subterfúgios para tornar aceitável essa perigosa droga que mata mais do que qualquer outra. Mata quem bebe e quem tem o infortúnio de cruzar o caminho dessas pessoas que não perceberam que essa comédia é uma tragicomédia.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Bom dia!


Inevitáveis os pensamentos reflexivos nessa época de festas e fim de ano.
Deve ser a análise involuntária do ocorrido no ano, nos últimos anos, em todos os nossos anos, levando de quebra as nossas relações com os outros indivíduos.
Aparentemente existem pessoas mais ou menos alegres, mais ou menos preocupadas e mais ou menos felizes.
Eu digo aparentemente, porque o homem apesar de dar sinais dos seus sentimentos, às vezes é uma caixinha de surpresas, como esses caras que entram atirando em escolas, que pulam do alto dos prédios, ou caras comuns, que são capazes de atos magnânimos para salvar a vida de alguém em perigo num incêndio, numa enchente ou outras situações inesperadas.
Você, eu e a maioria das pessoas que nós conhecemos, certamente não chega nem chegará a extremos. Vivemos uma vida rotineira, onde não há muito lugar para a morte prematura ou inesperada, nem para pensamentos recorrentes do inexorável fim.
Mas, a partir de certo dia e em alguns dias, especialmente, todos nós começamos a pensar, mais ou menos, na nossa vida e no final dos nossos dias.
As empresas, depois de certo período fazem um balanço das suas operações apurando o lucro ou o prejuízo. Nós fazemos o mesmo, em algumas datas. A gente lembra das coisas boas que aconteceram, dos percalços a que todos estamos sujeitos e de um ou outro fato que aparentemente poderia ter sido evitado, minorado ou de preferência não ter existido.
Isso não é possível.
Deixo aqui algumas linhas que pretendem explicar muita coisa:
As quatro Leis da Espiritualidade ensinadas na Índia:

- A primeira lei diz: “A pessoa que vem é a pessoa certa“. Ninguém entra em nossas vidas por acaso. Todas as pessoas ao nosso redor, interagindo com a gente, têm algo para nos fazer aprender e avançar em cada situação.

- A segunda lei diz: “Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido“. Nada, absolutamente nada do que acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum “se eu tivesse feito tal coisa” ou “aconteceu que um outro”. Não. O que aconteceu foi tudo o que poderia ter acontecido, e foi para aprendermos a lição e seguirmos em frente. Todas e cada uma das situações que acontecem em nossas vidas são perfeitas.

- A terceira diz: “Toda vez que você iniciar é o momento certo“. Tudo começa na hora certa, nem antes nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é que as coisas acontecem.

- E a quarta e última afirma: “Quando algo termina, ele termina“. Simplesmente assim. Se algo acabou em nossas vidas é para a nossa evolução. Por isso, é melhor sair, ir em frente e se enriquecer com a experiência.
Não é por acaso que estamos lendo este texto agora. Se ele vem à nossa vida hoje, é porque estamos preparados para entender que nenhum floco de neve cai no lugar errado.

Bom dia!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Minha mãe.



Um texto não precisa exaurir uma ideia, assim como uma iguaria não precisa matar a fome.
A morte é o fim e pode ser também o começo, a religião não foi feita para ser entendida, devemos aprender a ler os sinais do Criador para acreditar que não estamos aqui por acaso.
Depois disso, dá para escrever essas linhas sem a preocupação de que mais de noventa anos de vida possam ser resumidos em algumas palavras.
Minha mãe partiu!
Apesar do triste e doloroso último ano, ela não tinha nenhuma doença e não queria morrer. O brilho nos olhos durou até o último suspiro e espero que ela já tenha encontrado aqueles a quem amou e de quem teve as melhores lembranças.
Muitos vivem, alguns deixam um legado e a saudade é personalíssima, podendo ser dolorosa para uns e gostosa para outros.
O legado deixado pela minha mãe vive dentro de mim como sempre viveu. Sou capaz de lembrar-me dela desde os meus cinco anos de idade, me acompanhando nas lições do colégio, com muito rigor e com doçura.
Lembro-me dela por toda a vida deixando de lado a sua para acompanhar a minha. Lembro-me do seu desespero quando na rebeldia dos meus vinte anos, ameacei deixar a escola e ela me convenceu a continuar.
Lembro-me da mãe guerreira que cuidou da casa sozinha e ainda trabalhou, dando aulas particulares de piano na casa dos alunos, poupando-os do trajeto que ela fazia sem reclamar.
Lembro-me da sua alegria de encontrar um novo companheiro, com quem viajou todo o mundo por várias vezes e de quem falava sempre com muito carinho em vida e depois que ele partiu.
Lembro agora e sempre lembrarei, que a parte boa de quem sou veio dela.
Não estou triste. Com a convicção que ela tinha que ao partir reencontraria seus queridos, breve estaremos juntos novamente.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Noves fora zero.


Dois mais um três, mais um quatro, mais dois seis, mais um sete, mais dois nove. Noves fora zero.
Essa é a prova dos nove, da data mais comentada dos últimos tempos, 12/12/12.
O mundo não acabou, pelo menos para nós. Você, eu e mais um monte de gente por aí, continuamos na lide diária para fazer com que a nossa vida não seja um zero.
Voltamos, à estaca zero. Acordar, novos acont
ecimentos, esperanças renovadas e bola para frente.
Noves fora zero.
Na prova dos nove da vida, a lição de ontem, para mim, foi receber os parabéns de alguns amigos pela conquista do glorioso São Paulo Futebol Clube por mais um título.
Não estou falando dos parabéns de quaisquer amigos, estou falando de alguns amigos e amigas corintianos, que apesar da paixão pelo seu próprio time, magnanimamente sabem respeitar o time dos outros, as crenças dos outros e até mesmo os defeitos dos outros.
Isso renova a minha crença no ser humano, pelo menos em meia dúzia deles.
Noves fora zero para alguns, zero à esquerda para o valor desses rapazes sem caráter do Tigre Futebol Clube, que reforçaram uma antiga crença, sem fundamento, de que a Argentina só manda para o Brasil frente fria e filho da puta. De que os argentinos são todos uns merdas, que acham que nós brasileiros somos todos macacos etc.
Isso não é verdade, tem muito argentino bom e eu mesmo conheço dois.
Certo é que a atitude desses rapazes precisa ser exemplarmente punida.
Não é de hoje que transformam uma partidas de futebol em agressões gratuitas.
Nas últimas duas partidas, mostraram total falta de respeito pelas regras que fazem do esporte um congraçamento.
Eu espero sinceramente, que todo mundo, não importando para que time torça, nem das brincadeiras que todos fazemos com os amigos dos times adversários, repudiem e façam como eu, protestos veementes, que levem esse tipo de atitude a uma punição muito, mais muito severa, para que atitudes como essas de falta de caráter, não manchem o esporte, as amizades e até mesmo os países.
Não confundamos bandidos, brasileiros ou argentinos com os brasileiros e os argentinos de valor.
Noves fora, fui !

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Meu pai.





Meu pai.
Meu pai nasceu em 1917 e teria hoje, se fosse vivo, 95 anos.
Infelizmente ele se foi em 1999 portanto há treze anos.
Tenho vagas lembranças de como teria sido a sua vida pelos seus relatos já quase esquecidos.
Para falar a verdade, é dificílimo imaginar meu pai aos cinco, dez ou quinze anos, vivendo na cidade de São Paulo onde as novidades o teriam deixado tão surpreso, como para mim o advento da televisão colorida em meados dos anos setenta ou a internet nos anos noventa.
Naquela época as grandes novidades devem ter sido a chegada ao Brasil dos primeiros carros, a popularização do radio e o acesso aos primeiros cursos universitários.
Meu pai  contou que o primeiro carro que meu avô comprou, um Ford 1929, da sua alegria em ter um radio e de como ele conseguiu fazer à noite, o curso de ciências contábeis e atuariais da Faculdade Álvares Penteado do Largo de São Francisco.
Tempos difíceis, dizia ele que vivenciou o gasogênio,  tinha dificuldade em saber das notícias internacionais pelo radio e  tinha que chegar em casa, por imposição do meu avô, obrigatoriamente às nove horas da noite, ainda que as aulas terminassem depois desse horário.
É bem verdade que ele tinha certas regalias que a maioria dos jovens não tinham . Ele já podia dar suas voltinhas com o carro da família uma vez que desde os dezoito anos ele é quem  dirigia porque meu avô tinha  dificuldade para fazê-lo, para não dizer que dirigia muito mal.
Foi numa dessas voltinhas pela Rua Frei Caneca que ele viu pela primeira vez a minha mãe.  Deve ter sido um impacto fulminante porque a minha mãe era seguramente a garota mais bonita de toda São Paulo. Prova disso, são as fotos que publico junto com o texto.
Além de linda, minha mãe dançava balé, era formada em música pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e dava consertos públicos aos dezenove anos de idade. Sua educação  foi primorosa. Era a mais bonita, a mais inteligente e a primeira filha mulher. Ouvi dizer que era o xodó do pai e da mãe  com muita razão.
Segundo meu pai, a troca de olhares foi rápida, as primeiras conversas furtivas e o namoro alguma coisa perto de uma história de terror uma vez que o meu avô era um português no mínimo turrão.
Quando meu pai foi pedir  minha mãe em namoro, a conversa teria se tornado um desafio uma vez que meu avô disse que com filha dele ninguém brincava e que ele não admitiria namoro ou noivado prolongado. 
Quem conheceu meu pai sabe que o sangue espanhol dele fervia nas veias quando era confrontado e ele teria perguntado ao meu avô quanto tempo  seria suficiente ou demasiado e meu avô teria dito que não poderia demorar mais que seis meses.
Oh! Deus! Imagino a cara do meu pai, que esperava autorização para ir ao cinema com minha mãe na companhia de alguma irmã e sair de lá  noivo  para casar.
Segundo relatos fidedignos, meu pai teria imediatamente marcado a data do casamento para daí a quatro meses e o grande problema nem foi esse e sim contar para o meu avô, o seu pai que ele iria casar no final daquele mesmo ano.
Houvesse esse termo naquela época e eu diria que “a casa caiu”.
Meu pai me contou a condição imposta pelo padrasto para que ele se casasse seria ir morar em Vera Cruz, uma cidadezinha do meio do Estado de São Paulo, que hoje tem menos de dez mil habitantes, naquela época  só uma rua pequena e sem saída.
A minha mãe me contou que foi uma correria louca. A noiva tinha que fazer o enxoval, e promover a festa e o dinheiro mal dava para o dia a dia da família Pacheco.
 Apesar dos pesares meu pai e minha mãe casaram-se dentro dos escassos quatro meses.  O vestido da noiva era uma obra prima, a festa foi perfeita e até pouco tempo, havia em casa alguns lençóis de puro linho do enxoval original. No mais, eu estou aqui para contar essa história louca e verídica.
História que apenas começa com esse texto, porque se a memória não me trair ainda vou contar muitas outras do cara mais incrível que eu conheci,  meu pai Antonio Guzman Mariscal.
Contabilista radio amador, criador de pássaros de canto, espanhol esquentado, homem íntegro e honesto que fez tudo que podia pelos filhos,  do qual eu me orgulho de ter muitos princípios. E o nome Guzman.

A gente conhece as pessoas mas nem sempre sabe da sua origem.



Outro dia escrevi do meu avô, imigrante espanhol e cujo primeiro emprego foi ser carvoeiro, chegando exclusivamente pelo árduo trabalho, a ser um dos maiores latifundiários do Brasil.
Nos dias seguintes tive uma torrente de lembranças dele, do meu pai, da minha mãe e especialmente da minha avó materna Rosa de Andrade Pacheco.
Dona Rosinha como era chamada, teve quinze filhos, dos quais doze sobreviveram. Acho que foi um recorde para a época onde a mortalidade infantil era enorme. Minha mãe filha mais velha, tem hoje 92 anos de idade e vários tios e tias estão vivos.
Dona Rosinha era quase venerada por todos que a conheciam. Depois do segundo ou terceiro incêndio que destruiu a marcenaria do meu avô, deixando-o depressivo e praticamente inabilitado para o trabalho, arregaçou as mangas e com forças  tiradas de não sei onde, transformou a casa onde morava e outra que herdara da mãe, em casas de cômodos, as quais alguns mal educados e deselegantes chamavam na época de cortiços.
Com a renda dos aluguéis sustentou e formou todos os filhos, tendo como peculiaridade a formação musical da maioria no Conservatório Musical e Dramático de São Paulo, coisa que não era para muitos na época.
Não eram tempos fáceis como me contou  minha mãe, mas a vó Rosinha conseguiu agregar toda a família e a sua casa era o porto seguro, o lugar onde mesmo depois de casados, filhos, filhas e netos se reuniam em almoços, festas de aniversario e especialmente no Natal, na Rua Sergipe 248,  endereço nobre em Higienópolis, casa que ela comprou depois que as coisas melhoraram e ela ficou até bem de vida, tendo reformado e transformado o casarão imenso num belo palacete.
Cheguei a morar com a vó Rosinha por uns seis meses porque minha mãe, acometida por uma nefrite, ficou imóvel na cama, e essa lhes pareceu a melhor solução, uma vez que eu estudava no Colégio Rio Branco, apenas três ou quatro quadras da casa da vó.
Depois que meu avô morreu e ele morreu cedo, acho que com uns cinquenta anos, minha vó e as filhas mantiveram um longo luto, vestindo-se de preto por pelo menos um ano, como era costume na época. Eu tinha quatorze anos.
Terminado o luto, e é dessa época que eu me lembro. A casa estava sempre em festa, abastecida de comida e cheia de visitas. Familiares e amigos e amigas dos filhos vinham visitar a Dona Rosinha com um carinho memorável, uma vez que ela participou ativamente na formação de todos e a todos dava conselhos, atenção e carinho.
Dona Rosinha morreu cercada da família que criou e manteve agregada. A família amparou-a na velhice e até que o casarão da Rua Sergipe desse lugar a um luxuoso prédio, a família ainda se reuniu lá por um tempo.
Tenho saudades da lembrança do que é uma família grande e unida, coisa que hoje em dia pouco se vê.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Quando a gente quer, arruma razão e desculpa para qualquer coisa.




E como parecem boas as alternativas para fazer do jeito que a gente imagina, sem dar atenção às opiniões contrárias.
Uns podem achar que ser teimoso é um defeito, outros que é uma virtude, já que a persistência quase sempre leva ao sucesso.
Uma coisa é certa, quando a coisa não tem que dar certo, não vai dar certo de jeito algum.
E como resolver a questão? Meu conselho é procurar a opinião de um especialista. Se você tem um problema jurídico, não se fie nas opiniões de amigos, procure um(a) bom (boa) advogado (a). Às vezes as coisa parecem iguais. São semelhantes, mas o remédio pode ser bem diferente.
Se você tem um problema de saúde, não se fie no farmacêutico, menos ainda no balconista. Procure logo um médico, de preferência da especialidade. Cuidado com médicos mercenários, esses deveriam estar atrás de um balcão invés de num consultório. Médicos costumam errar menos, mas se você sair vivo dessa ainda pode processá-lo.
Se você tiver um problema de coração, quero dizer, um problema sentimental, fuja das amigas e dos amigos. Cartomante então, nem se fala. É sabido que tem esse tipo de problema não consegue nem avaliar corretamente quem é amigo e pode estar caindo no colo de um curioso, curiosa ou pior, de uma pessoa com más intenções. Procure logo um psicólogo, pelo menos se ele errar redondamente, te causar danos aparentes ou você resolver voltar para seu amor bandido, você põe descaradamente a culpa nele e fala que todos os psicólogos são charlatães. Não vai errar muito.
Se você está em dúvida se deve ou não abrir um negócio, recomendo marcar uma entrevista no SEBRAE. Não custa nada e você vai ter uma aula grátis de administração que pode evitar grandes aborrecimentos e prejuízos.
Agora, se você se identificar como uma pessoa que vive arranjando desculpas para tudo, o melhor é mudar. Fica muito mais barato atender ao bom senso do que ser teimoso. De qualquer forma, nunca crie caso com sua advogada (no meu caso) porque escrevendo tanta merda, vira e meche você vai precisar dos seus serviços.

A difícil arte de escolher como preencher seu tempo.






Lembrei-me agora mesmo, com muitas saudades do meu avô.
Espanhol, desembarcou no porto de Santos por volta de 1929, época que como todo mundo sabe houve a “Grande Depressão” que atingiu o mundo inteiro.
Seu primeiro emprego foi trabalhar nos fornos de carvão, segundo ele, a coisa mais próxima do inferno que conheceu.
Sua meta era vencer e a fórmula era trabalhar arduamente. Depois da jornada de um emprego ele sempre procurava algo melhor remunerado e conseguiu assim galgar postos inimagináveis para alguém analfabeto.
Além de trabalhar conseguiu aprender a ler um pouco e escrever mal, segundo ele.
Posso estar enganado mas depois de carvoeiro ele foi carregador de sacos de um batateiro na feira, onde soube como legumes, verduras e cereais chegavam aos consumidores vindas dos atacadistas da Rua Santa Rosa em São Paulo.
Curioso, foi para São Paulo e começou a comprar pequenas quantidades de feijão que vendia por quilo nas feiras.
Procurando aproveitar bem o tempo que separava uma feira da outra, foi conhecer de onde vinha o feijão que ia para a Rua Santa Rosa, tendo conhecido as máquinas de beneficiar feijão, café e arroz.
Em pouco tempo, tornou-se comprador de cereais no interior, mercadoria que enviava para os distribuidores da Rua Santa Rosa. Tudo isso sem dinheiro, munido apenas do crédito que lhe era fornecido mercê dos contratos de “fio de bigode” granjeados pelas recomendações obtidas por todos os lugares onde passou.
Sempre aproveitando bem o seu tempo e o seu crédito, ele comprou primeiro uma máquina de beneficiar café, depois uma pequena fazenda que produzia o café a ser beneficiado.
Ele me contou muitas vezes que todos os sitiantes da região colhiam o café e levavam imediatamente para a sua máquina, mesmo que ele não tivesse dinheiro para pagá-los. Assim, ele beneficiava o café, vendia e depois pagava os fornecedores.
Cheguei a conhecer cada uma das muitas máquinas de café que ele comprou ou montou e as dezenas de fazendas que ele comprou, reformou e tornou-as grandes propriedades produtoras.
Alguns anos depois meu avô deu ao único enteado e aos seus sobrinhos que trabalhavam com ele, todas essas máquinas e fazendas e ficou exclusivamente no ramo da pecuária com o que se chama cria, recria e engorda, chegando a ter muitas outras fazendas, uma das quais me lembro de nome Fazenda Santana ou Santa Ana, que tinha cerca de 7.000 alqueires cujas terras atingiam três municípios, se não me engano, Pacaembu, Junqueirópolis e Nova Independência.
Infelizmente um acidente deixou meu avô impossibilitado de trabalhar e de ter mais um tempo. Depois de longa enfermidade ele morreu deixando muitos bens e muitas, muitas saudades, em muita gente.
Foram muitas as lições que Antonio Perez deu a todos os que o cercavam. Eu ainda era jovem demais para entender, aplicar e tirar benefícios delas. Mas nunca as esqueci, e de vez em quando me pego lembrando desse grande homem e como eu gostaria de ter seguido muito mais os seus exemplos.
Pense um pouco como você está usando o seu tempo.
Sugiro que você perca uns poucos minutos e reserve um tempo para fazer algo de bom e ainda mais proveitoso do que você anda fazendo.
Pode ter certeza de que no futuro irreversível, você vai reconhecer que ter empregado bem o seu tempo foi o que de melhor você fez na sua vida.
Cada segundo é único e nunca mais se repetirá.



domingo, 25 de novembro de 2012

Menina fantasmagórica.


Eu sempre digo que na busca para fazer algo diferente, as pessoas fazem um monte de porcarias. Coisas diferentes, entretanto, porcarias.
Não sei qual o critério de escolha para menina fantástica mas permitir que a bicharada determine esses critérios, é meio caminho andado para permitir que a beleza feminina seja pautada por parâmetros diferentes daqueles que nós homens gostaríamos e ver feiosas magricelas, sem nenhum peito, esconder as bundas pequenas em saias curtas que mostram joelhos ossudos e feios.
Tudo bem que as meninas estão sendo escolhidas para mostrar roupas femininas para as mulheres e que alguns dos homens só sejam chamados para pagar a conta.
Mas vamos e venhamos, já que estamos acostumados com as porcarias fantásticas apresentadas no programa, os caras poderiam nos dar uma trégua.
Agora só falta lançarem o menino fantástico, impingir na goela da gente estereótipos de homens, usando roupinhas de bichanos, que podem encantar alguns garotões tatuados, com um dragão no braço e um Caetano na sunga.

Vida


Há uma época na vida que a gente não imagina que vai ficar velho e vai morrer.
Todas as descobertas são novidades e felicidades.
Cedo ou tarde a realidade começa a aparecer e a gente toma conhecimento do que é perder um bichinho de estimação, um ente querido, um parente mais próximo.
 O contato com o fim quase sempre é numa sequencia é lógica e perdemos nossos queridos avós. Ainda assim, parece que a morte é coisa dos outros.
Parece que a gente vai viver para sempre.
Mas, finalmente, em algum momento a gente descobre a realidade das nossas vulnerabilidades.
Seja pela doença ou pela morte de gente bem próxima, caímos numa real de que a vida é efêmera, que a passagem por ela pode trazer muitas alegrias e conquistas, mas carrega sempre o os percalços e que a única certeza da vida é a morte.
Para muitos, onde me incluo, essa certeza não assusta. Esse é momento para parar de comer, fumar e beber. Todos sabem que essas são coisas onde menos é mais.
Breve você vai estar matematicamente mais perto do fim do que do começo, deve ter em mente que é hora de aproveitar a vida e pensar que a morte será puro e merecido descanso.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Pequenos goles e leves mordidas.



A vida tem que ser sorvida em pequenos bocados.
É comum a gente empanturrar-se com grandes, fortes e rápidas emoções.
Não se deve entretanto esquecer, que o verdadeiro sabor  de qualquer coisa  se percebe enquanto  estamos sóbrios  e atentos.
São ilusórias as emoções vividas com filtros que prometem altas viagens e que não raro terminam com  acidentes de percurso e  desastres.
Mergulhos profundos não cobrem distancias, caminhadas pequenas não levam ao destino.
Há que dosar, e isso dá para aprender.
Às vezes cedo, algumas vezes tarde, muitas vezes  nunca.


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Pericats




Minha querida Amanda Palma me alerta de uma palavra que eu não conhecia ainda apesar de óbvia.
Pericat, que seria uma mistura de periguete com gatinha.
Além do alerta, como minha verdadeira Wikimanda, ela me dá algumas informações a respeito das roupas e acessórios modernos que fazem com que gente como eu, muitas vezes confunda c...  com bunda.
Periguetes e pericats usam vestidinhos muito curtos e saltos altíssimos, numa combinação  elegantíssima que torna as calcinhas aparecidíssimas.
Umas e outras usam óculos grandes ou modelo caçador, maquiagem bem feita, cabelos bem lavados, espichados, cheirosos e muitas vezes com apliques. As bolsas grandes ou pequenas parecem um arsenal de armas de caça.
Além dos apliques no cabelo e do silicone nos seios, periguetes e pericats têm milhares de truques ensinados em todas as boas revistas femininas para disfarçar qualquer probleminha que possam torná-las diferentes umas das outras. Quando saem em bandos e elas saem, parecem todas irmãs.
Não está bem claro para mim se a questão alcoólica está totalmente diferenciada. Tenho lido comentários na minha Facebíblia, de garotas que eu pensei que  fossem pericats mas que bebem tanto, confessam isso, descrevem com detalhes as ressacas homéricas, contam que não  lembram nada ou muito pouco das últimas horas da balada que sou obrigado a aplicar, nesse caso, a regra número um do Código dos bêbados. C... de bêbado não tem dono. Isso posto, igualo nesse quesito, quando alcoólicas, periguetes e pericats.
Periguete todo mundo sabe é aquela garota que gosta muito de dançar, de se divertir, curtir a vida a mil por hora, “ficando” com os mais gatos das baladas. Colocam invariavelmente no próprio currículo, de um a três lindinhos por semana entre suas pegações.
Pericats não gostam de serem chamadas de periguetes, algumas ficam com vários "gatos", outras se declaram fiéis e procuram um namorado sarado para tirar de circulação e chamar de  seu.
Eu como mero observador já declarado, não consigo diferenciar uma periguete de uma pericat e os garotões que estão no mercado, os parceiros das baladas, os meninos que bebem tanto quanto as meninas também devem ter alguma dificuldade.
Vez ou outra vejo um saradinho desfilando com uma periguete, crente que é uma cat, e logo depois fico sabendo que essa confusão  causou muito mal estar e como efeito colateral um par de chifres.
Não me pergunte como resolver esse problema. Não bebo, não fumo, não vou a baladas e tenho a minha própria pericat, Amanda Palma, que bebe pouco, não vai a baladas e manera no comprimento do vestidinho e na altura do salto porque afinal, ela já conquistou o gatão gordo aqui, que sarado só quando não está com dor nas costas, resfriado ou com algum dos sintomas de validade, digo, vai idade...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sucesso garantido!!!


Meus textos fazem sucesso algumas vezes porque são de graça, porque porcaria, por porcaria, meus amigos preferem as minhas e porque, como disse o Imperador Adriano, ele e eu, só fazemos mal para nós mesmos.
Agora descobri que dá para pagar para ter leitores. Esse tal de promover, tá dizendo que se você pagar R$7,80 as suas fotos e textos aparecerão no topo atingindo até mesmo os “amigos” que se escondem das minhas postagens.
Também tenho meia dúzia de leitores cativos que se dispuseram até a comprar um livro caso eu o editasse, provavelmente pela certeza que têm de que estou louco mas não varrido e não escreveria um livro ainda que a febre alta me fizesse acreditar que sou escritor.
Bem depois da descoberta de que um monte de gente lê as minhas bobagens posso acrescentar meu comercial e pedir, se não for demais, para você compartilhar o endereço da minha loja virtual de biquínis. Vai lá e dá uma olhada, recomenda, compra para você ou para dar de presente.
Compra que eu preciso faturar algum e aí não vou precisar ficar aqui esquentando e escrevendo com textos bobos, você não vai perder tempo lendo e ganhamos todos.
O endereço virtual é www.biquinis.tv Ajuda aí! Ó! Diria o Datena... isso é uma vergonhaaaaa diria o Boris Casoy e ...quem quer dinheiro??? Digo eu que preciso tirar férias em junho se é que o Facebook não vai me expulsar de vez bem antes disso.

domingo, 18 de novembro de 2012

Tem muita gente procurando alma gêmea e só encontra alma penada.


Minha querida Amanda Palma daria uma excelente escritora.
Aliás, Amanda Palma é excelente em tudo que pensa, imagina e faz.
Um dos seus grandes méritos foi encontrar um cara maravilhoso e humilde como eu para dividir os prazeres da vida, emoldurado pela minha beleza interior, exterior na Europa, de Mercedes, de avião ou de navio.
Então... (como dizem os de parco vocabulário), o título do texto foi fornecido por Amanda Palma sugerindo que eu escrevesse alguma coisa a respeito,uma vez que ela tem uma penca de amigas  encalhadas.
É verdade, várias amigas da Amanda Palma não encontraram a alma gêmea e vivem se lamuriando de tempos em tempos por trocar a pseudo cara metade por ainda menos do que metade.
É... tem mulher que tem dedo podre para homem.
Pensam que encontraram o príncipe encantado e acabam acordando com o ronco dos sapos.


Amanda é maravilhosa mas acho que essa ela não vai perdoar e eu vou ter que dormir na sala...

Quem diria?



Os muito bons de ontem podem ser muito ruins amanhã e vice-versa.
A gente não prevê  o futuro mas  sempre pode avaliar o passado.
E o futuro... ah....esse  reserva mais surpresas do que supomos quando jovens, e só se percebe de fato o que é a vida adulta quando já se passou por ela e tem que se encarar a tal da terceira idade, que apelidaram agora de melhor idade, numa tentativa de adoçar o amargo da caipirinha da qual sobrou a ressaca.
Não sei se fico mais surpreso quando encontro uma anta do passado que fez sucesso ou alguém que fez muito sucesso na juventude e está no ostracismo. A gente vê de tudo...
Segundo a sabedoria popular a vida é como uma roda gigante. Às vezes a gente está lá em cima e outras vezes em baixo.
E como é difícil estar por baixo, tropeçar e descer degraus, derrapar nas pegadinhas que a vida insiste em nos dar. É preciso estar preparado, ter ajuda de gente boa e esperança de que dias melhores poderão vir.
Uma coisa é certa, não adianta só ter esperança porque o tempo corre por trás da gente, empurrando para baixo ou para cima e se você não remar muito, fizer muita força e encarar firme as ladeiras, vai perceber que no caminho fácil da descida pode ser atropelado pela inexorável avalanche dos anos.
Faz o seguinte, joga na loteria uma vez por semana, mas trabalha todo dia tá...

sábado, 17 de novembro de 2012

Conselhos.



Um dos grandes absurdos das frases feitas é de que se conselho fosse bom não seria dado, seria vendido.
Atitude bem própria de quem prefere remédios populares para a falta de saúde e adágios para falta de educação e cultura, os jovens e os inexperientes preferem bater com a própria cabeça a escutar quem já viveu uma boa parte da vida e já passou por muitos problemas que poderiam evitar a eles muitos dissabores.
É sabido que os postos de abastecimento de combustíveis que têm loja de conveniência vinte e quatro horas e que vendem bebidas alcoólicas são a primeira e a última parada dos jovens baladeiros. É o esquenta antes e a saideira depois.
Passei hoje às seis horas da manhã num desses postos e vi com pouca surpresa uma das garotas mais bonitas da cidade há pouco mais de dois anos. Ela tinha traços delicados, corpo escultural moldado pelo surf e pelo body boarding, deixo de dar outros detalhes porque seria o mesmo que dizer seu nome.
A garota trocou a praia pelas baladas, o surf pela musculação, a escola pela "vida profissional" e o que restava de pura beleza jovem, pelas tatuagens múltiplas. Como é baixinha, o exagero deixou-a parecida com uma rã pequena e desajeitada, caricatura daquelas pererecas com grandes lábios vermelhos, mini vestidos que mal cobrem a bunda desproporcional e cujas costas parecem um papiro.
Para muitos uma caricatura. Para ela a bela estampa de mini dançarina tipo Panicat como são todos os tipos Net que jamais conseguirão ser uma Brastemp.
Na época eu tentei dar o conselho para que ela não fosse por esse caminho sem volta. Não adiantou. Talvez se eu tivesse vendido esse mesmo conselho hoje ela continuasse sendo uma linda garota...
E tem outras lindas garotas que eu conheço vindo por esse mesmo caminho que poderiam aproveitar desse conselho dado ou vendido, como preferirem.





sábado, 10 de novembro de 2012

Ver o presente é como ter visto o futuro no passado.




Quando eu tinha uns trinta anos, minha amiga Miroca entendidíssima na arte de consultar adivinhos infalíveis me levou a conhecer muitas dessas cartomantes, quiromantes, jogadores de búzios e mágicas outras, que prometiam contar tudo o que acontecia na nossa vida financeira, sentimental e principamente, o que nos reservava o futuro.
Não me lembro do nome das estranhas figuras, mas seus “consultórios” variavam de espeluncas a casas de luxo e as consultas nunca foram baratas, principalmente porque eu nunca consegui ver nada, saber de nada nem acreditar em nada.
Ainda assim, fazíamos uma peregrinação mensal que servia para que eu acreditasse cada vez menos e a Miroca ficasse com a cabecinha mais  atrapalhada. Tão atrapalhada como a vida dos seus pretendentes que ela desejava investigar. E olha não eram poucos, uma vez que ela era sem dúvidas, uma das garotas mais bonitas da época.
A beleza da Miroca fez tanto sucesso que a levou conhecer gente importante e muito rica. Até um sultão árabe, que depois se descobriu, era mais contrabandista que sultão e que apesar da linhagem árabe, tinha vindo para o Brasil pelo Paraguai para ser mascate em Foz do Iguaçu.
Uma das provas de que a Miroca era inteligente, apesar de ser loira, é que ela sempre me manteve bem longe das suas pernas e fraternalmente perto do coração.
Não vejo a Miroca faz uns vinte anos. Soube que ela mora na Praia Grande, nunca se casou e agora cuida de cachorros abandonados. Certamente ela não teria imaginado que seu futuro seria como é, e nenhuma cartomante lhe contou que tanta exigência com os homens iria levá-la a amar e ser amada mais pelos cachorros que latem, do que pelos a cortejaram na época.
Mas voltando ao passado  que hoje é o presente, e lembrando das adivinhações, tenho certeza que eram todas embromações porque nada daquilo aconteceu como vaticinado.
Pensando bem, naquela época eu nunca imaginei como eu seria agora.E agora, eu sei como sou. Eu acho...
E no que diz respeito à curiosidade das mulheres e à sua invariavel dependência das cartomantes, quem acertou mesmo foi a Tânia  minha namorada na época, que apesar de não ser muito amiga da Miroca vivia trocando endereços de “óóóóótimaaassss” advinhas. Ela foi aconselhada pela Madame X a terminar logo o namoro comigo,  porque eu seria cafajeste, bêbado,mulherengo, sem futuro e outros predicados que eu certamente tinha e cultivava muito na época. Aliás, era só olhar na minha cara, não precisava nem fazer força nem ler a mão. Acertou a Tânia que me deu um pé na bunda, me trocou por um milionário e continua com uma vida de conto de fadas.
A verdade das verdades é que nem eu nem ninguém da minha turma  conseguimos predizer o futuro. Vejo como eles e elas eram,como ficaram e ter certeza desse resultado teria sido causa para uma  depressão certeira, precoce e possivelmente fatal.
Quem aí vai me dizer que teria imaginado e acertado como seria o próprio futuro? Quem é hoje como se imaginou há quarenta anos?
A certeza do futuro que eu não tive no passado hoje tenho. Daqui a quarenta anos vou estar feliz e  em paz.
Bem vamos deixar o feliz de lado, vou estar em paz...


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Só se vive uma vez.



E isso tem que ser bastante, tem que ser suficiente e pleno, porque arrepender-se do que não se fez é impossível.
Soa como redundância, mas observando algumas pessoas parece que elas não sabem que aos quarenta ela já passou da metade, aos cinquenta certamente já viveu a maior parte, aos sessenta ela já viveu muito mais do que poderá repetir.
Como dizia uma velha empregada, “cada um sabe de chi”.
Cada um sempre teve livre arbítrio para fazer suas escolhas, hovessem ou não sido as melhores, e se as lembranças não forem as que a gente desejaria, o melhor a fazer é esquecer e tocar para frente, nunca ficar culpando os outros porque a vida da gente não deu certo, o que é meio caminho para que isso continue acontecendo.
Falar parece fácil. Mas o que fazer com os ex-maridos e mulheres? O que fazer como os filhos que enfrentam agora aquilo pelo qual nós já passamos, já erramos, já sofremos e não conseguimos transmitir? Como ajudar para que outros não cometam os mesmos erros?
Realmente não há muito a fazer!
Quando as relações se deterioram é como um cristal que se parte. Não há remendo que resolva. Melhor abandonar uma causa perdida do que continuar a procurar remédio para o que vai continuar sendo só remediado.
Só se vive uma vez e se você tiver isso presente, vai ver que a perda de tempo talvez seja o único erro que não pode ser repetido.
Só se vive uma vez, uma única vez. Não perca nenhum tempo com quem não merece, porque essa pessoa estará roubando a sua vida.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A verdade..


Pregar virtudes é um erro em que costumeiramente me pego.
E porque não?
Virtudes são valores politicamente corretos que não fazem mal a ninguém.
Ser sincero é uma virtude, sou um virtuoso mesmo quando confesso minhas fraquezas, dentre elas, o prazer involuntário que sinto em ver o castigo das pessoas por serem maldosas, por promoverem intrigas e por permitirem que a inveja as domine 
seus corações. Corações que não têm lugar para a admiração, para o respeito e para o reconhecimento dos méritos daqueles que se esforçam para ajudar ao próximo.
Ontem eu passei, depois de algum tempo, em um lugar que foi minha casa, meu lugar de trabalho e de convívio com dezenas de pessoas por cerca de vinte anos.
Aparentemente tudo está como quando eu o deixei.
Só aparentemente. Por trás das intrigas dos covardes, é possível ver que o mal superou o bem e que a espada de Dâmocles está onde sempre esteve, por um fio, sobre a cabeça de quem temporariamente administra e tem o poder de mandar.
Mal passados alguns meses e já se percebe que administrar não significa só mandar.
Se o castigo das pessoas é serem como elas são, o castigo dos fracos e dos covardes é serem sempre joguetes na mão dos que se apoderam temporariamente do poder.
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