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sexta-feira, 15 de abril de 2011

As mulheres estão conquistando o monopólio do pé-na-bunda. Fato!, como dizemos, em momentos absolutistas, nas redes sociais.

14/04/2011

Monopólio do pé-na-bunda





De 2008 para cá, os sismógrafos conjugais do IBGE
já mostraram
 que as fêmeas são responsáveis por 71,7% das separações não consensuais
 –situação em que um pombinho quer cair fora e o outro senta na margem do rio Piedra e chora.
   
Donde se conclui, definitivamente, que homem é frouxo,
 só usa vírgula,
 no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final.

Sim,  o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas
de Paulo Mendes Campos:
 “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados,
diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar...”

Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto borrado da caneta-tinteiro do amor.
Fato, amigo absolutista.

Às vezes o ponto final vem com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente.
 Sem mané reticências...

Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido  prorrogação, os pênaltis,
deixar o destino decidir na morte súbita.

O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta,
chega, é o fim, seu canalha, vagagundo, cachorro.

O macho pode até fugir para comprar cigarro na esquina.
 E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono,
no Camel sem filtro da covardia e do desamor.

Mulher se acaba, mas diz na lata, não trabalha com  metáforas nem cartão de crédito. Nesse sentido, paga à vista.

Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede,
 controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas,
o diabo-a-quatro.

O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.

Nem no Crato...nem em Estocolmo. Nem no Beco da Facada,
no Recife, nem na Chácara Flora, San Pablo.

Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós
consegue escrever o “the end” sem uma quebradeira monstruosa.

Fim de amor sem baixarias é o atestado,
com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava.

O mais frio, o mais cool dos ingleses estrebucha e fura
o disco dos Smiths,
I Am Human, sim, demasiadamente humano esse 
barraco sem fim.

O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta,
relax, chutando as tampinhas da indiferença
para dentro dos bueiros
 das calçadas e do tempo.
Escrito por Xico Sá �s 12h49   http://xicosa.folha.blog.uol.com.br/

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