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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Quem não se comunica se trumbica.




Quem não se comunica se trumbica.

 

Por Eugenio Mussak

Perus são inimigos dos gambás porque estes matam seus filhotes para comer. Uma perua ataca um gambá sem piedade para defender sua prole e, em geral, consegue colocar o malcheiroso para correr. Se colocarmos um gambá de brinquedo, feito de pano, perto de uma perua, ela o destruirá em minutos. 

Uma das experiências mais curiosas sobre o comportamento dos animais foi feita com um gambá e com uma perua e seus filhotes. Um biólogo amarrou um pequeno gravador no peito de um gambá, emitindo os piados de um filhote de peru, e o deixou perto de uma família dessas aves, cuja mãe, como sempre, estava zelosa e atenta a qualquer perigo. Entretanto ela não atacou o gambá, que continuava parecendo um gambá, caminhando como um gambá e, principalmente, cheirando como um gambá. Só que piava como um peruzinho. Foi o suficiente para ser aceito como tal. 

Esse é apenas um dos muitos exemplos da força da comunicação. Na outra mão, provavelmente um peru que imitasse o ruído de um gambá seria imediatamente repelido pelo grupo. Em resumo, você quer se dar bem com um peru? Pie como ele. Deseja se relacionar bem com um humano? Faça com que ele o entenda. Comunique-se. Quem se comunica costuma obter o que deseja. E quem não se comunica se trumbica. 


Comunicação e evolução Poderíamos dizer que, com a evolução, o ser humano aumentou sua capacidade de se comunicar. Que evoluiu da comunicação oral para a comunicação escrita, desenvolveu tecnologias, inventou o correio, o telégrafo, o telefone e hoje não sabe mais viver sem o e-mail e o celular. Só que o que ocorreu não foi isso. Evoluímos porque melhoramos nossa capacidade de comunicação e não o contrário. A comunicação foi o atributo que permitiu a evolução de nossa espécie, com o surgimento da sociedade humana. 

Pensamento e comunicação estão ligados desde sempre. Precisamos pensar para falar e, ao falarmos, melhoramos nossa capacidade de pensar, porque o esforço pedagógico para que nosso interlocutor nos entenda melhora nosso próprio entendimento. Aliás, esse é o princípio da terapia. O psicólogo estimula o paciente a falar, organizando pensamentos e sentimentos. Na aparência, o paciente fala com seu terapeuta; na prática, fala com ele mesmo. E é dessa autocomunicação, estimulada e mediada por um estranho, que a pessoa retira seu autoconhecimento. E, deste, vem o desenvolvimento pessoal. 

O erro mais comum que se comete é imaginar que podemos comunicar uma idéia com perfeição apenas usando as palavras adequadas. É claro que as palavras certas são imprescindíveis, mas não podemos esquecer que palavras não têm vida própria – precisam, para viver, da qualidade da voz que as pronuncia. 


Comunicação e emoção 

A palavra representa uma idéia e constrói uma mensagem, mas quem transporta essa idéia e essa mensagem é a modulação da voz. Palavras são a representação do intelecto, a modulação da voz é o manifesto da emoção. E a comunicação será tão mais eficiente quanto melhor for a interação entre a razão e a emoção. 

Acontece com freqüência de uma pessoa dizer algo que lhe parece totalmente lógico e ser entendido de maneira ilógica por seu interlocutor. Às vezes, uma tentativa de elogiar transforma-se em uma pesada ofensa. Por outro lado, uma crítica severa pode ser aceita como uma manifestação de amizade e carinho. Por que acontece isso? No primeiro caso porque a emoção da voz não foi compatível com a qualidade da mensagem. No segundo porque a aspereza do comunicado foi amenizada por uma entonação correta, que deixou claro que aquela crítica era um desejo de construção e uma manifestação de amizade. 

Pode parecer estranho, mas em um ato de comunicação a forma é tão ou mais significativa do que o conteúdo. Tanto na aprendizagem quanto na comunicação, a emoção é mais determinante do que a razão – e, repetindo, a emoção não está na palavra, e sim na maneira como ela é pronunciada. E não faltam exemplos na política, no direito, na religião e até no futebol de pessoas que não falam nada com nada, mas convencem quase todo mundo. Imagine, então, se você associar um bom conteúdo com uma boa qualidade na comunicação. 

Aliás, se você deseja convencer alguém com seus argumentos, a primeira providência é estar, você mesmo, convencido. Senão sua comunicação será falha. A comunicação sem consistência não se sustenta por muito tempo. No filme Kate e Leopold, um lorde inglês do século 19 viaja no tempo e acaba na Nova York contemporânea. Envolve-se com uma publicitária que tem a idéia de aproveitar o galante personagem em uma propaganda de margarina. 

O rapaz fala o texto de maneira convincente, enaltecendo o sabor, mas, na hora de comer o pão com a dita margarina, faz uma cara feia e se recusa a comer o que ele dizia ter “gosto de sebo”, e a continuar o trabalho. A publicitária então lhe diz: “Mas isto é apenas propaganda”. Ao que o nobre retruca: “Como você pode fazer propaganda de uma mentira? Isso não é ético”. 

Sim, quem não se comunica se trumbica, mas às vezes quem se trumbica é quem comunica inverdades, como temos visto nas patéticas cenas protagonizadas por publicitários da política – comunicadores profissionais que capricham na forma, sem se preocuparem com a verdade do conteúdo. 


Comunicação e lógica 

Clareza de idéias é uma qualidade dos bons comunicadores. Tornam claros os pensamentos, para que os outros possam “vê-los”. Organizam as idéias antes de organizar as frases. Comece a observar se você pensa antes de falar, assim como pensa antes de escrever, e se organiza as frases com a melhor lógica possível. Depois treine a melhoria da organização de suas frases. Ter clareza pode ser uma questão de treino. 

Não tenha medo de ser considerado pedante por conjugar os verbos corretamente, fazer concordância entre os pronomes e pronunciar as palavras por inteiro, sem comer finais e sem deixar partes entregues ao “subentendido”. Prefira ser elogiado pela clareza. Quando alguém não entendeu sua mensagem, pergunte a si mesmo “por que será que eu não me fiz entender?”, em vez de transferir a responsabilidade ao outro perguntando “por que será que ele não me entendeu?”. 

Preste atenção na organização de suas falas. O ritmo adequado da fala facilita o entendimento da mensagem. Observe a velocidade, pois há quem fale depressa demais, assim como há quem fale muito devagar. O primeiro tipo angustia o interlocutor, pois não cria o tempo necessário à interpretação, e o segundo irrita com a monotonia, pois o entendimento aconteceu antes da conclusão da frase, e isso pode gerar dispersão. O timing verbal também é demonstrado através de coisas como o comprimento das frases, a obediência à pontuação, a tonificação das sílabas mais significativas. 

Clareza de expressão é a manifestação externa da lucidez do pensamento. Pessoas lúcidas são as que luzem, ou seja, emitem “luz”, e seu traço principal é a coerência de idéias. Lúcida é o nome que se dá à estrela mais brilhante de uma constelação, também chamada estrela alfa. Lúcida também é a designação de uma técnica de lapidação de diamantes que confere à pedra um brilho maior, que se traduz em imensa beleza. Pessoas lúcidas também são assim, brilham mais através da maneira como se comunicam. 


Comunicação e relações 

Vivemos em um mundo em que os povos não se entendem, provocando grandes conflitos, e costumamos ouvir que o que está faltando é diálogo. Se olharmos para o mundo comum ao nosso redor, também encontraremos uma série de pequenos conflitos, pessoais e profissionais, sobre os quais podemos fazer o mesmo comentário: está faltando diálogo. Parece que tudo ocorre a partir do diálogo. 

A biologia nos dá lições sobre esse tema. No livro A Segunda Criação, de Ian Wilmut (Objetiva), há uma reflexão perturbadora. Esse geneticista britânico, “pai” da Dolly, a ovelha-clone, afirma que os genes não operam isoladamente: “Eles estão em diálogo constante com o resto da célula, que por sua vez responde a sinais de outras células do corpo, que por sua vez estão em contato com o ambiente externo. Esse diálogo controla o desenvolvimento do organismo (...). O diálogo entre os genes e o ambiente que os circunda continua depois que o animal nasce e durante toda sua vida, e, se ele não se processa corretamente, os genes saem fora de controle, as células crescem desordenadamente e o resultado é o câncer”. 

Trata-se de uma reflexão a respeito de um fenômeno biológico, sobre o comportamento das células, mas nos remete a uma segunda reflexão, esta sobre o comportamento das pessoas. Seríamos nós produtos de um permanente diálogo entre nosso interior e o mundo em que vivemos? Seria o ser humano um animal parcial, considerando que só controla parte de seu comportamento, estando a outra parte entregue à variação de um mundo em permanente transformação? 

Ao que tudo indica, sim. Nosso bem-estar e nossa felicidade dependem de nós – mas também do mundo e, como conseqüência, da qualidade do diálogo que estabelecemos com esse mundo. Nesse sentido, sou eu e o mundo, em permanente troca de informações e buscando o consenso – que, em última análise, é condição para a felicidade. Entender o mundo e me fazer entender por ele é o grande desafio. Ninguém deve ganhar esse diálogo, pois ele não é um embate, é um apelo de paz. O diálogo existe para que não haja imposição, e sim entendimento, compreensão e, ao final, o consenso. 

Você viverá melhor quanto melhor dialogar com a pluralidade do mundo. Por outro lado, como diria Chacrinha, comunicador da televisão brasileira que criou a expressão que logo caiu no gosto do povo: “Quem não se comunica... se trumbica”. Da qualidade do diálogo vem a qualidade da vida. Os diálogos bem-sucedidos, internos e externos, acalmam, amansam, aveludam, alegram. 



Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril. 

Visite o site da revista: www.revistavidasimples.com.br

 

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